Copagril
Dom João Carlos Seneme

Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua vontade

 

A preparação para o nascimento do Salvador nos coloca em sintonia com grandes personagens bíblicos: Isaías, João Batista e Maria; o profeta, o precursor e a mãe.

Neste domingo (4º Domingo do Advento, dia 23) quem nos conduz é Maria; ela nos ajuda a intensificar e concentrar nossa espera. Até agora seguimos o Salvador de longe. Hoje a salvação se torna próxima e concreta porque o Salvador se encontra no seio de Maria. Nossa atitude de espera é orientada por uma mãe grávida que acompanha a mudança do seu corpo e tudo é condicionado para a chegada do bebê. É assim que devemos imaginar Nossa Senhora na iminência do Natal: com aquele olhar amável, dirigido mais para dentro do que para fora de si; ela contempla o fruto de seu ventre e dialoga com ele. Maria carrega o evangelho dentro de si e vai sendo evangelizada pelo Filho. Maria reconhece que Deus fez maravilhas em sua vida e grita de alegria com o seu cântico. O Magnificat é o evangelho em miniatura.

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O chamado de Maria e sua resposta positiva revelam o carinho de Deus com a humanidade que exalta os pobres e manda embora os que já estão satisfeitos com o que têm, que não esperam nada de Deus. Em Maria, Deus convoca a humanidade a participar do seu projeto de salvação. Deus vai se revelar na fragilidade de um menino. Ele é fiel e se preocupa com todos, ele quer que todos sejam livres, particularmente os que são vítimas da prepotência e da injustiça. Com Jesus, chegou esse tempo novo de libertação, de paz e de felicidade anunciado pelos profetas.

Maria não fica orgulhosa e nem mesmo se colocou no centro das atenções. Seu primeiro gesto é ir ao encontro de Isabel, prima que precisa dela e que também participa da alegria da salvação de Deus que será realizada em Jesus. A presença de Jesus provoca a alegria: “Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo”. O estremecimento, o grito de felicidade de Isabel é também o grito de todos aqueles que esperam a concretização das promessas de Deus e que veem na chegada de Jesus a realização das promessas de um mundo de justiça, de amor, de paz e de felicidade para todos.

O que podemos aprender da liturgia de hoje? As várias reações de Maria diante da grandiosidade do projeto de Deus chamam a nossa atenção. “Eis aqui a serva do Senhor” é sua resposta diante do mistério de Deus. Ela aceita participar do projeto salvador de Deus e oferece o que tem de mais precioso: sua vida, liberdade. Em seguida, sua prontidão em servir a faz livre porque não pensa em si, mas coloca o ouvido atento a quem necessita. São ações que questionam a vida egoísta e cômoda que muitas vezes levamos. Deus nos chama constantemente para revelar sua vontade, para nos mostrar alguém que precisa de nós, para rezar, para ajudar alguém. Devemos estar sempre atentos e habituados a ouvir Deus nos chamando pelo nome. Deus nos dê coragem suficiente para dizer: “Eis-me aqui”.

Que o nascimento de Jesus anime e fortaleça nossa fé e robusteça nossa vontade em acreditar que é possível um mundo mais fraterno e solidário. Deus acredita em nós, por isso nasce de novo e sempre e sempre. Feliz Natal a todos!

 

Dom João Carlos Seneme é bispo da Diocese de Toledo

revistacristorei@diocesetoledo.org

 

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