Copagril
Dom João Carlos Seneme

Ele é Deus, não dos mortos, mas dos vivos, pois todos vivem para Ele

Acompanhamos Jesus em mais um encontro/desencontro com as autoridades do seu tempo e que se torna um espaço de ensinamento para os seus discípulos e também para nós, hoje. Desta vez são os saduceus que criam uma armadilha para apanhar Jesus. Os saduceus não gozavam de muita estima: eram pessoas de alta aristocracia de Israel, de tendência conservadora e amigos dos romanos, os dominadores de Israel. Não acreditavam na ressurreição, considerando-a crença de pessoas ignorantes e ingênuas. Estavam contentes com esta vida e não se importavam com o que aconteceria depois da morte.
Um dia se aproximam de Jesus para ridicularizar os que acreditavam na ressurreição dos mortos. Apresentam-lhe uma situação absurda, fruto da fantasia de suas cabeças. Contam o caso de sete irmãos que se casavam sucessivamente com a mesma mulher para assegurar o nome da família, a riqueza e a continuidade do ramo masculino da família.
Jesus desmonta a concepção que os saduceus têm da ressurreição e escapa da armadilha afirmando que o céu, o mundo de Deus, não é continuidade deste mundo. A vida junto a Deus não reproduz as injustiças e nem as garantias que este mundo oferece. Deus vai muito além e oferece a possibilidade de vida plena e abundante para todos. “O Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó não é um Deus dos mortos, mas de vivos”. Jesus não pode nem sequer imaginar que para Deus seus filhos morrem. A vida com Deus é cheia de vida, alegria e paz.
Este acontecimento narrado no Evangelho nos leva a pensar que o destino de todo ser humano é viver para Deus, por isso é fundamental conhecê-lo e viver em comunhão com Ele. O que nos leva a pensar que a nossa vida aqui e agora deve ser vivida com alegria, responsabilidade, mas tomando consciência de que existe um outro mundo onde viveremos em plenitude. Tomando todo o cuidado de não projetar os valores do nosso mundo no mundo de Deus. A vida junto a Deus não consiste em perpetuar as injustiças, desigualdade e abusos deste mundo. A vida limitada pelo tempo e espaço se transformará em vida eterna, sem qualquer limite, porque ela é plena.
São Paulo diz aos Coríntios que a vida eterna é algo que o olho nunca viu, nem o ouvido ouviu, nem homem algum imaginou; é algo que Deus preparou para os que o amam. O céu é uma vida preparada por Deus para satisfazer plenamente nossos desejos mais profundos. É próprio da fé alimentar o desejo, a expectativa e a esperança confiante em Deus. Neste sentido, Deus é fonte inesgotável de vida. A morte não consegue atingir Deus e nem Ele fica sem seus filhos e filhas. Enquanto nós choramos de saudades de nossos entes queridos, Deus os contempla cheio de vida porque os acolhe com seu amor de Pai. Que maravilha conseguir viver dia a dia a esperança deste encontro. Sem desmerecer a vida que temos, amando e construindo vida digna para todos aqui e agora, mas sabendo e acreditando que nos aguarda uma vida plena sem fim e que é dom de Deus!

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