Copagril – Sou agro com orgulho
Dom João Carlos Seneme

Era uma multidão que ninguém podia contar

A festa de Todos os Santos e Santas que celebramos neste domingo (07) é o momento propício para recordar os nomes e a vida de muitos irmãos e irmãos que acolheram Deus em suas vidas e viveram inteiramente para Ele. A Oração Eucarística II diz: “Na verdade, ó Pai, vós sois santo e fonte de toda santidade”. Esta é a nossa vocação: ser santos para Deus e por causa de Deus. Não é um mérito, mas um dom.

Acompanhemos o que diz o papa Francisco: “Muitas vezes somos tentados a pensar que a santidade esteja reservada apenas àqueles que têm possibilidade de se afastar das ocupações comuns, para dedicar muito tempo à oração. Não é assim. Todos somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações de cada dia, onde cada um se encontra” (Gaudium et exultate, 14).

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Os caminhos da santidade são muitos, porém todos eles brotam da relação profunda que Deus estabelece com a humanidade, transformando-a em criatura nova, capaz de viver, como os santos, de alteridade e amor.

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As bem-aventuranças se tornam um projeto de vida, um caminho para a santidade, um modelo de seguimento para quem quer viver a vida segundo os critérios de Deus. As bem-aventuranças são lidas a partir da ótica do Reino de Deus anunciado por Jesus Cristo. Aqui não se privilegia nenhuma condição histórica, nem social e econômica. Tudo acontece em vista do Reino e sua justiça.

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Ao elencar os bem-aventurados, Jesus subverte o pensamento de sua época que dizia que a felicidade estava unida ao poder e à riqueza. Jesus estabelece uma outra ordem, uma situação nova, que coloca em primeiro lugar Deus e sua sabedoria.

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Jesus subverte as categorias da sabedoria humana, que acentuava que os pobres, os aflitos, os humildes e os perseguidos eram fracassados. No evangelho, ele anuncia que no Reino de Deus os fracassados se tornam os beneficiários da salvação. O fundamento da alegria dos pobres, aflitos, humildes… não se encontra na situação em que vivem, mas na esperança que o Reino de Deus projeta sobre suas vidas.

Deste modo, santidade e bem-aventurança se encontram no evangelho. O mundo exige riqueza e força, astúcia e competição… A santidade nasce do conhecimento de que tudo é graça e que o mundo, sob a ótica do poder e da competição, tende a acabar enquanto perdurar o amor dos santos. Eles nos ensinam a olhar a realidade com outros olhos: a paz brota da certeza de que o projeto de Deus navega pelos caminhos dos humildes e pacificadores, dos perseguidos e justos.

 

O autor é bispo da Diocese de Toledo

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