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Dom João Carlos Seneme

Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho

O tema da liturgia deste domingo (03) nos convida a refletir sobre a missão da Igreja que dá continuidade à missão de Jesus. O Evangelho deste domingo aprofunda a reflexão de domingo passado quando Jesus entra na sinagoga de Nazaré e lê uma passagem de Isaías que narra a esperança do povo que aguardava o Messias que viria libertá-los do sofrimento e da escravidão. Jesus, ao final da leitura, afirma; “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”.
Em um primeiro momento Jesus é admirado por todos. Os judeus tinham uma imagem do Messias esperado: queriam um Messias espetacular que viria libertá-los e se tornar o novo rei. Mas Jesus apresenta o Messias como um profeta que denuncia os erros e anuncia a vontade de Deus. Ele recorda os profetas do Antigo Testamento que foram enviados para socorrer alguns estrangeiros. Isto provocou ódio entre os seus conterrâneos que o ameaçaram de morte.
A narração deste acontecimento deixa claro que a missão de Jesus como profeta não será fácil. O caminho de Jesus e sua comunidade será marcado por perseguições, incompreensões e morte. O fundamental é não temer, ter a confiança de que Deus está ao lado de Jesus e de sua Igreja.
Hoje somos introduzidos no programa de vida de Jesus. Ele não será intimidado pelo medo, nada o afastará de sua missão de salvar a humanidade. O texto deixa claro que a liberdade de Jesus vence os inimigos e a evangelização segue o seu caminho (“passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho”), até atingir os que estão verdadeiramente dispostos a acolher a salvação/libertação realizada por Jesus.
Neste texto programático Lucas anuncia o caminho da Igreja: a comunidade de fé toma consciência de que, em continuidade com o caminho de Jesus, a sua missão é levar a Boa Nova aos pobres e marginalizados – como Elias fez com uma viúva de Sarepta ou como Eliseu fez com um leproso sírio. Se percorrer esse caminho, a Igreja viverá na fidelidade a Cristo.
Hoje não é muito diferente, há reações negativas quando o evangelho é anunciado. Se realmente assumirmos nossa missão de batizados, continuadores da obra de Jesus e começarmos a colocar o dedo nas feridas de nossas comunidades seremos também rejeitados, perseguidos, convidados a procurar outra comunidade.
“Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho”. São Lucas ressalta o caminho continuo da Palavra da salvação, mesmo com a recusa de muitos. Jesus está sempre em caminho que não será concluído em Jerusalém com sua morte na cruz; o caminho prossegue após a ressurreição com os discípulos. E continua vivo ainda hoje com aqueles que seguem Jesus de perto.
O mundo precisa de profetas do evangelho. Hoje mais do que ontem. Cada um de nós é chamado a testemunhar o evangelho com a vida e a palavra nas situações de todo dia: família, trabalho, escola, grupo de amigos, comunidades virtuais. Não estamos sozinhos, existe um Deus amoroso e misericordioso que nos ampara e constantemente nos adverte e nos recorda que somos imagem dele aqui e agora.

 

Dom João Carlos Seneme é bispo da Diocese de Toledo
revistacristorei@diocesetoledo.org

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