Dom João Carlos Seneme

Jesus proclamava a boa nova do Reino em todos os lugares

Jesus é a Palavra de Deus que se fez presença em nosso meio, é o Evangelho de Deus, a alegria de Deus, é o Emanuel, Deus-conosco. Com sua vida, morte e ressurreição ele nos revelou o Projeto de Deus, nos faz entrar em sintonia com o coração de Deus, experimentar sua compaixão, seu amor e misericórdia.

Os gestos de misericórdia que Jesus realiza para com os oprimidos pelo mal e pelas doenças são um sinal da presença do Reino de Deus. Os milagres, portanto, são sinais de que o Reino chegou e já está se realizando. Por isso, o convite: “Convertei-vos e crede na boa-nova”. A verdadeira conversão se dá através da compreensão e acolhida do amor de Deus. Deus é um Pai misericordioso que vai ao encontro de quem o busca, como no exemplo do filho pródigo. É somente através desta experiência que acontece a mudança de vida, de mente de coração. É este o convite de Jesus: “deixem-se contagiar por esta maravilhosa verdade”!

Jesus tem consciência de ter sido enviado e de ter uma missão: anunciar o Reino de Deus. Ele realiza esta missão de modo itinerante, aproximando-se das pessoas, indo onde elas vivem, moram e trabalham: “Jesus percorria todas as cidades e vilas, ensinando em suas sinagogas, pregando a boa-nova do Reino e curando todas as doenças e enfermidades” (Mc 9,35).

O milagre deste domingo (08), a cura da febre da sogra de Pedro, revela o carinho de Deus diante de uma necessidade que chega a ser insignificante. É o primeiro milagre que nos relata Marcos, e ele quer ser um sinal de todos os outros milagres. O olhar de Jesus é penetrante e é tomado de compaixão em todas as situações de sofrimento: uma força amorosa toma conta de Jesus e lhe abre o coração para socorrer o outro em sua necessidade. Este gesto provoca em quem recebe este carinho uma atitude de serviço aos outros. É o que acontece com a sogra de Pedro. Ela experimenta que Jesus é o Senhor da vida, que a arranca do sono – metáfora da morte -, toma-a pelas mãos e a levanta. Ela então se põe a servi-los. Esta atitude lembra-nos que do encontro libertador com Jesus deve resultar o compromisso com a libertação dos nossos irmãos.

Neste acontecimento Jesus revela que é o Senhor, é o Senhor da vida, tem poder sobre os demônios e também sobre a vida e a morte. Não há necessidade de dizer alguma palavra, somente toma a mulher pela mão, levanta-a e ela está curada.

Quantas vezes também nos sentimos doentes de uma febre que aflige nossa alma, nossa vontade e precisamos da mão do Senhor. Se pedimos sua ajuda, Ele vem em nosso socorro, nos levanta e nos coloca em condições de voltar a servir.

O serviço ao Senhor não é fácil. Muitas vezes nos sentimos sobrecarregados, sufocados pela falta de esperança e sem vontade em assumir nossa missão de batizados. Servir ao Senhor não é permanecer em nossa área de conforto, mas arriscar-se e ir ao encontro dos irmãos necessitados. “Levante-te e come porque o caminho é longo”. “Eu estarei convosco todos os dias”. Peçamos ao Senhor que nos dê a coragem suficiente de sermos instrumentos de sua paz.

 

* O autor é bispo da Diocese de Toledo

revistacristorei@diocesetoledo.org

 

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