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Dom João Carlos Seneme

NÃO PORÁS À PROVA O SENHOR, TEU DEUS

Em sua mensagem pela ocasião do início da Quaresma, o papa Francisco convida a viver a caminhada quaresmal no horizonte da misericórdia. A misericórdia não é um atributo de Deus, mas o seu próprio nome. O que melhor expressa sua misteriosa divindade, que consiste neste abismo de bondade e amor infinito, é o carinho e o cuidado que Ele tem com a humanidade: Ele nos ama apesar de nossas fraquezas, miséria e pecados e está sempre pronto a perdoar e curar.

Este mistério, incompreensível para nós, é manifestado em-por-com Jesus Cristo que assumiu nossa humanidade e se comove com o sofrimento humano com compaixão e consolo. Jesus, com a entrega de sua vida, destruiu o pecado e a morte e abriu-nos o caminho da vida eterna. Com Jesus aprendemos a ser misericordiosos uns com outros como é misericordioso o Pai do céu. Este é o itinerário da Quaresma que iniciamos através do sinal das cinzas que indica que queremos fazer este caminho de conversão para celebrar com júbilo e alegria a Páscoa do Senhor.

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Neste 1º domingo da Quaresma acompanhamos Jesus, cheio do Espírito Santo, que retorna da região do Rio Jordão e, por 40 dias, o Espírito o conduz ao deserto, lugar de encontro com Deus e onde Jesus vai se preparar para iniciar sua missão. Ali ele será tentado pelo diabo, que, muitas vezes, é chamado de “espírito impuro”. Chama a atenção o contraste entre a plenitude do Espírito e a presença do diabo. São Lucas faz uma apresentação catequética das tentações de Jesus. Elas representam as necessidades básicas do ser humano na luta do dia a dia: alimento, poder humano e fé. Ou seja, o diabo coloca em jogo a liberdade do ser humano porque tudo implica em renunciar a Deus e adorá-lo. Isto revela como o mal se importa com o ser humano e o valoriza a tudo custo. Se o ser humano não tiver consciência do seu próprio valor, ele facilmente se entrega ao poder do mal. Deste modo, São Lucas revela que Jesus é o Filho de Deus, mas homem como nós, menos no pecado. Jesus foi tentado por todos os lados, mas não pecou. Ele acontecimento ilumina a realidade de nossa vida, muitas vezes, invadida pela tentação e pela vida fácil, sem querer enfrentar os desafios e as dificuldades. Jesus nos convida a segui-lo de perto para ver que é possível uma vida plena, se formos fiéis até o fim.

Todo ano a CNBB propõe a Campanha da Fraternidade para nos ajudar a refletir e agir, a partir de nossa fé, sobre questões que afetam o direito de viver de muitos irmãos. Este ano a Campanha da Fraternidade será ecumênica: as igrejas cristãs que trabalham juntas no Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic) vão fazer um caminho juntas na denúncia do mal que afeta muita gente em nosso país: o saneamento básico. Em Toledo estão juntas a Igreja Católica e a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e todas aquelas que queiram fazer parte de projeto. O tema da CFE é “Casa comum, nossa responsabilidade”. O planeta, nossa casa comum, está sofrendo e desta vez a culpa é da humanidade. O objetivo principal da iniciativa será chamar atenção para a questão do saneamento básico no Brasil e sua importância para garantir desenvolvimento, saúde integral e qualidade de vida para todos.

A exposição da população ao mosquito Aedes aegypti, vetor dos vírus da dengue, chikungunya e zika revela a necessidade do cuidado da casa comum e a atualidade desta ação de todos.

Uma das grandes novidades desta quarta edição da campanha ecumênica é a participação da Misereor, entidade episcopal da Igreja Católica da Alemanha que trabalha na cooperação para o desenvolvimento na Ásia, África e América Latina. A colaboração acontece em vista do desejo dos organizadores em transpor as fronteiras. Boa caminhada quaresmal.

 

 

* O autor é bispo da Diocese de Toledo

 

revistacristorei@diocesetoledo.org

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