Copagril
Dom João Carlos Seneme

Orar sempre, sem nunca desistir

A parábola deste 29º Domingo do Tempo Comum nos coloca diante de dois personagens que vivem na mesma cidade, mas distantes pelas circunstâncias da vida: um juiz e uma viúva solitária. O juiz é um homem surdo a Deus e indiferente ao sofrimento dos outros. A viúva é uma mulher sozinha, desprotegida e sem amparo social. A única coisa que pode fazer é conseguir seus direitos preservados gritando: “Faze-me justiça contra o meu adversário!”. E consegue. O juiz atende o seu pedido para não continuar sendo importunado.
Jesus usa desta história para revelar o modo de Deus agir. Ele não é surdo ao grito dos sofredores. Eles podem ter esperança. Precisamos confiar, precisamos invocar a Deus de maneira incessante e sem desanimar, precisamos suplicar-lhe que faça justiça àqueles que ninguém defende.
Não podemos esquecer que Jesus está ensinando seus discípulos, principalmente preparando-os para assumir a missão de evangelizadores. Por isso, a finalidade da parábola é exortar os discípulos a perseverar na oração, “orar sempre, sem nunca desistir”. Diante da perseguição, por causa da fé, é preciso sempre rezar para não cair no poder da tentação de desistir.
Hoje, mais do que nunca, devemos aprender ou “reaprender” a rezar; não só ficar falando com Deus sem parar, sempre pedindo alguma coisa, mas aprender a fazer silêncio, aprender a escutar, acolher no coração a Palavra de Deus. As pessoas entram em comunhão uns com os outros escutando, assim também os filhos e filhas de Deus entram em comunhão com Ele escutando-o. Passamos da escuta atenta à ação de graças pelo amor de Deus manifestado em seu Filho Jesus Cristo. Pedir a ajuda de Deus não significa, porém, que Ele vai resolver meus problemas e atender minhas necessidades, mas é reconhecer o limite da própria condição humana de que ninguém pode salvar a si mesmo. Rezar sempre, sem cessar, como faz a viúva da parábola, é o convite que Jesus nos faz, mesmo que, às vezes, pareça que Deus demore a atender. Da nossa parte é necessária a confiança, a insistência, a perseverança a ponto de assumir a mesma atitude de Jesus no Monte das Oliveiras: “Pai, afasta de mim este cálice! Contudo, não seja feita a minha vontade, mas a sua”!
A comunidade reunida em nome de Cristo é perseverante na oração. A oração sustenta a missão e o testemunho da Igreja e nutre o dinamismo missionário: “Ide pelo mundo, pregai o Evangelho a toda criatura!”. A fé nutre a oração, ela estimula a “saudade” de conversar com Deus e viver em comunhão com Ele. Viver a fé é enfrentar com destemor os desafios e provações da vida. Por isso, vamos aceitar corajosamente o convite de Jesus de orar sempre sem jamais desanimar.
“A oração é necessária não para que Deus conheça as nossas necessidades, mas para que nós fiquemos conhecendo a necessidade que temos de recorrer a Deus, para receber oportunamente os socorros da salvação”, diz Santo Tomás de Aquino. “A oração? Um amigo que fala a um amigo, e sabe calar-se para o escutar”, completa Santo Inácio de Loyola. Por fim, recordo São Gaspar Bertoni, fundador dos Estigmatinos, que disse: “A oração é a vida de nossa vida e alma de nossa alma. É como a respiração”.

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