Dom João Carlos Seneme

Senhor, queremos ver Jesus

O texto do evangelho deste domingo nos oferece uma cena muito significativa que nos ajuda a entender o tema da “hora de Jesus”, momento em que entrega a sua vida para salvar a humanidade estabelecendo uma aliança definitiva com o Pai. O fato se passou no dia seguinte a sua entra triunfal em Jerusalém (domingo de ramos). Ali Jesus foi exaltado como um rei. As multidões o procuram motivadas pela ressurreição de Lázaro.

Alguns gregos pagãos se aproximam e manifestam o desejo de ver Jesus. Não é uma simples curiosidade, há aqui um profundo desejo de conhecer o mistério daquele homem de Deus. Eles desejam crer. É o primeiro passo para a fé. É uma indicação para abertura da fé aos pagãos e a toda humanidade. Os gregos não se dirigem diretamente a Jesus, aproximam-se de Filipe.Caberá à comunidade de Jesus a missão de anunciar a boa-nova do Reino a todos os povos.

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Em seguida, Jesus declara que a “hora” anunciada desde o princípio chegou, e que nela se manifestará a sua glória: o seu amor fiel até as últimas consequências, realizando até o fim o projeto de Deus. A glória que nele se manifestará é a mesma do Pai. Em Jesus a humanidade recupera toda a sua plenitude humana como no dia em que fomos criados à imagem e semelhança de Deus. “A glória de Deus é o homem vivo” (S. Irineu).

Jesus explica o conteúdo e o significado da “hora”. A imagem do grão de trigo ajuda a compreender o caminho da glorificação de Jesus. Para produzir fruto o grão de trigo tem que desaparecer na terra. É o único modo de produzir fruto. A metáfora revela como o grão de trigo, Jesus também deve morrer para que todos tenham a possibilidade de entrar em comunhão com o Pai. Não se pode produzir vida sem dar a própria vida. A vida é fruto do amor e não brota se o amor não é pleno, se não chega ao dom total. Amar é dar-se sem poupar; até desaparecer. Jesus dá a vida por suas ovelhas. Esta é a prova definitiva do amor do Pai: o Filho concorda em morrer nas mãos dos homens, o Pai aceita a sua oração: Pai, perdoa-lhes … Agora, ao olhar para a cruz não vemos um instrumento de ódio e dor, mas o instrumento do triunfo do amor. Jesus veio para dar testemunho da verdade, chegou a “hora”, a missão está cumprida.

A missão de Jesus continua em cada um de nós, membros de sua Igreja. Sabemos que não é algo tão simples e fácil. O próprio Cristo passou por aflição e até pediu ao Pai que o livrasse deste sofrimento. Mas venceu o dom de sua vida, “Ele foi obediente até a morte e morte de cruz” e se tornou fonte de salvação eterna.  Queremos ver Jesus também deve ser o nosso desejo fundamental, mesmo que tenhamos medo e incerteza, pois certamente esta busca e este encontro nos farão melhores do que somos e estaremos mais perto de Deus e de nossos irmãos.

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