Copagril
Dom João Carlos Seneme

“Vi uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de toda nação, raça, povo e língua”

Ao celebrar a Solenidade de Todos os Santos e Santas neste domingo (03), ultrapassando o limite do tempo e do espaço, vislumbramos a glória de Deus. No início do cristianismo, os membros da Igreja eram chamados de “santos”. Por isso esta celebração nos recorda que a santidade é um projeto de vida ao alcance de todos, que se constrói no dia a dia à medida que vamos edificando a vida de discípulos missionários trilhando o caminho das bem-aventuranças.

Contudo, pode-se pensar que a santidade é uma condição reservada a poucos privilegiados. Na verdade, tornar-se santo é tarefa de todo cristão. São Paulo afirmou que “por meio de Cristo, antes da criação do mundo, Deus nos escolheu para que pelo amor fôssemos santos e irrepreensíveis em sua presença” (Ef 1,3-4). Todos os seres humanos são chamados à santidade que, em última análise, consiste em viver como filhos de Deus porque fomos criados à Sua imagem e semelhança. Todos os seres humanos são filhos de Deus, e todos devem viver segundo esta vocação, através do caminho exigente da liberdade.

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A Igreja sabiamente celebra a solenidade de todos os santos e a comemoração dos fiéis defuntos bem próximas. À nossa oração de louvor a Deus e de veneração de todos os santos e santas, que a liturgia nos apresenta como uma “multidão imensa, que ninguém podia contar, de toda povo, raça e nação” (Ap 7,9), une-se a oração por todos aqueles que nos precederam na passagem deste mundo à vida eterna.

Esta festa é para todos nós: a porta do céu se abre e nos faz assumir cada vez mais um compromisso profundo com o mundo que nos cerca, porque é aqui e agora que devemos viver nossa vocação à santidade tendo diante de nós tantos testemunhos de pessoas como nós que nos precederam na fé e hoje são reverenciadas como santos e santos. Eles se tornam modelo de fidelidade do amor porque viveram a vida a partir do amor a Deus e aos irmãos e irmãs de todos os tempos.

As bem-aventuranças se tornam um projeto de vida, um modelo de seguimento para quem quer viver nesta vida segundo os critérios de Deus. O discípulo de Jesus é santo por ser pobre no espírito, manso, sedento e faminto de justiça, misericordioso, puro de coração e pacífico. As perseguições jamais o intimidam. Injuriado, perseguido e vítima da mentira, segue adiante sem se intimidar (Pe. Jaldemir Vitório).

Santidade e bem-aventuranças se encontram e se tornam sinônimos. A santidade nasce da consciência de que tudo é graça e que a paz nasce da certeza de que o projeto de Deus se revela nos humildes e pacificadores, nos perseguidos e nos justos.

No centro da assembleia dos santos e santos brilha a Virgem Maria. Colocando a nossa mão na sua, sentimo-nos animados a caminhar com mais empenho na vida de santidade. Confiamos a Ela o esforço de cada dia e rezamos também por todos os nossos queridos irmãos e irmãs que partiram desta vida, na confiança de que nos encontraremos todos juntos na comunhão gloriosa dos santos e santas.

 

O autor é bispo da Diocese de Toledo

revistacristorei@diocesetoledo.org

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