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Bitcoin atrai investidores rondonenses

Uma moeda virtual que tem conquistado pessoas no mundo todo desde meados de 2008, inclusive brasileiros. Trata-se do bitcoin, uma forma de dinheiro como o real, dólar ou euro, com a diferença de ser digital e não ser emitida por nenhum governo, cujo valor é determinado livremente pelos indivíduos. Para transações on-line, é a forma ideal de pagamento, pois é rápido, barato e seguro. É uma tecnologia inovadora que está chamando atenção de aproximadamente 400 mil adeptos por todo o mundo.

Embora não seja um dos investidores, o empresário rondonense Paulo Ivando Kempfer conhece o funcionamento desse mercado que se assemelha com uma bolsa de valores – respeitando a lei da oferta e da procura. “O bitcoin é uma moeda digital mais conhecida como criptomoeda, que surgiu em um fórum científico e tem certa complexidade de funcionamento, levando algumas pessoas a ficarem confusas. Ela é bem difundida em países como Japão e Rússia, além de outros da Europa. Pioneiro, o bitcoin foi a invenção da criptomoeda e provém de um cálculo matemático”, explica.

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Kempfer diz que essas moedas não podem ser criadas, elas devem ser construídas pelo computador, não podem ser desfeitas e há um número limitado. “É mais ou menos como um número primo, então só existe um número três, um número cinco e um número 13. Com o tempo as pessoas passaram a negociar esse bitcoin, a comprar, vender e transformar em outras moedas. Tudo começou nos Estados Unidos, cujas primeiras operações de bitcoin aconteceram em dólar valendo menos de um centavo. Hoje cada bitcoin vale US$ 3 mil, US$ 4 mil, mas com a oscilação pode cair a US$ 2,5 mil”, expõe, acrescentando que na moeda brasileira o bitcoin é avaliado em média a R$ 14,2 mil.

Apesar de haver apostadores, ainda são poucos os rondonenses que aderiram aos bitcoins. Extraoficialmente, uma pessoa de Marechal Cândido Rondon teria 30 moedas, o que equivaleria a R$ 426 mil. Um outro morador da cidade estaria com dez moedas de bitcoins, o que representaria R$ 142 mil. No total seriam R$ 568 mil aplicados no mercado financeiro virtual, rendendo ou não, possibilitando que estes rondonenses obtenham lucro ou registrem perdas. Apesar de não aceitarem falar com a reportagem, foi apurado que eles teriam adquirido as moedas por valores irrisórios ainda na fase inicial do bitcoin. O site mais difundido no Brasil é o www.mercadobitcoin.com.br.

 

Adepto

Um rondonense se tornou investidor de bitcoin no ano de 2011, por acaso. “Eu possuía alguns créditos transnacionais de um jogo de computador no qual ao avançar ganhava crédito no próprio jogo, até descobrir através de comunidades dos Estados Unidos que alguns participantes estavam trocando créditos por bitcoins. Não sabia o que era, mas como isso interessou eu troquei por centavos de bitcoin. Através do valor gerado eu poderia trocar por crédito no cartão, busquei mais informações e vi como minerar”, relata o entrevistado, que prefere não ser identificado.

Apenas no ano de 2014 é que o rondonense adquiriu o seu primeiro bitcoin via carteira digital anônima. “Eu paguei quase US$ 250 (na época cerca de R$ 700) por um bitcoin, comprei em um site do exterior e paguei no cartão de crédito. Fui me informando, entrei em alguns grupos para investir e colocar mais pessoas até formar mais centavos. Com as viagens que fiz ao exterior eu acabei usando os meus bitcoins, transferindo para um cartão de crédito pré-pago (no exterior existem sites que fazem isso para as bandeiras Mastercard e Visa) nas minhas viagens, tanto que fiquei defasado de bitcoins por usar muito”, comenta o rondonense.

A partir desse momento o bitcoin se valorizou bastante e se tornou mais seguro por uma divisão para quem investe e negocia. “Com a grande procura o preço tende a se estabilizar, sendo que o limite é que um bitcoin possa chegar a US$ 7 mil ou US$ 8 mil. Como percebi que está chegando perto do limite, comecei a investir em outras criptomedas surgidas a partir da tendência dos bitcoins, como ethereum, stratis que também é bem cotada, ciaconic e a ripple, que é mais segura e reúne mais tecnologia. Há comentários de que alguns bancos da Europa podem regularizar a ripple para transações”, acrescenta.

 

Grupos

O rondonense afirma não integrar nenhum grupo de investimento, embora a prática seja comum nos Estados Unidos e na Rússia. “Só conheci os bitcoins porque como atuava no ramo de internet e tecnologia eu tinha alguns contatos fora do país. Aqui em Marechal Rondon, por exemplo, há pessoas que entraram, porém são poucas mesmo. No Brasil não se consegue trabalhar e transformar os bitcoins em dinheiro ou espécie, poucas empresas aceitam, portanto a troca presencial é mais disseminada na Europa e na Tailândia, inclusive nos caixas eletrônicos onde se pode sacar moeda em espécie. Aqui é muito difícil trabalhar com isso e obter lucro, o que se consegue é investir e manter parado”, resume o entrevistado.

 

Mineração

De acordo com Paulo Kempfer, a mineração é um dos métodos de funcionamento do bitcoin. “É quando o computador faz um cálculo para descobrir o número, sendo que como existe o cálculo do número primo também existe um cálculo para encontrar essa moeda. Como no início os cálculos eram pequenos, o computador logo achava essas moedas, juntavam-se computadores, os programas iam trabalhando e encontravam uma moeda. Com o passar do tempo foi preciso grande quantidade de computadores para localizar uma moeda e inclusive equipes especializadas para realizar o processo de mineração. Na China existiam salas cheias desses equipamentos que ficavam minerando, o que não está mais sendo benéfico, então as pessoas atualmente estão negociando”, ressalta.

Conforme ele, ainda existe mineração no mundo, contudo o dinheiro da energia gasta talvez não seja o suficiente para pagar o valor do bitcoin. No início muitas pessoas investiram US$ 100 e chegaram a somar dez mil moedas de bitcoin, sendo que atualmente essas pessoas teriam aproximadamente US$ 3 milhões parados.

 

Troca

No Brasil e em praticamente todos os países existem interessados em negociar e ganhar uma comissão para isso. Eles compram e vendem essas moedas e tiram um percentual mínimo para fazer a transação. “No Brasil existem mercados que se oferecem para fazer a negociação, então se você tem uma moeda e deseja vender é possível acompanhar através de sites. O mercado bitcoin obedece a lei da oferta e da procura igual uma bolsa de valores, por exemplo se ninguém quiser comprar o preço vai cair, já se muitos quiserem o valor subirá. Existe uma teoria de que cada moeda pode chegar a US$ 1 milhão no futuro, então tem gente comprando uma moeda ou frações de moedas. A minha sugestão é não procurar atravessadores e sim ir direto, pois é simples para guardar. Não precisa procurar pessoas para vender porque não é complicado de mexer pela internet”, alerta Kempfer, acrescentando que os interessados devem ficar atentos para não perderem dinheiro. “Há casos de pessoas que investiram e saíram perdendo”, pontua.

 

Efeito Trump

Kempfer reforça que a negociação do bitcoin funciona como se fosse adquirir uma ação da Petrobras ou da Vale, por exemplo. Além disso, o valor do bitcoin subiu bastante a partir de outubro e especialmente em janeiro deste ano. “A cotação elevou tão logo (Donald) Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos, pois os americanos ficaram com medo, então decidiram usar os dólares para comprar algo diferente. Alguns consideraram o bitcoin uma boa alternativa, foi daí que o valor da moeda virtual disparou. Também já esteve em US$ 1,5 mil, caiu para US$ 600 e hoje está em US$ 3 mil, então há essa variação por ser algo limitado. Existem outras criptomoedas, algumas sem valor, enquanto outras atingem US$ 100 ou US$ 200, mas o bitcoin por ser a primeira moeda virtual atinge um valor impressionante”, destaca.

 

Hackers

Segundo ele, a previsão é de que totalizem 21 milhões de moedas quando o processo de mineração for concluído, o que, de acordo com informações, pode levar alguns anos. “Imagine que eu tinha dez moedas e apaguei o arquivo com elas. É o mesmo que colocar fogo no dinheiro; isso não vai mais existir, está eliminado. Aquelas dez moedas foram perdidas e ninguém terá acesso, porque não existe como reconstruí-las. Agora, eu posso colocar uma senha na minha moeda para segurança, como também posso deixá-la livre. Se eu colocar num pen drive e você copiar e transferir, ela passa a ser sua, pois eu a perdi”, detalha, complementando que aconteceram muitos ataques de hackers, inclusive a bancos virtuais de bitcoins. “Os hackers entraram virtualmente na empresa que era o banco, invadiram o computador e copiaram os arquivos, transferiram para outros arquivos e esses novos passaram a valer”.

 

Legalidade

“Não sou investidor, apenas conheço algumas pessoas daqui que mexem por achar curioso. Não sei como está o mercado bitcoin em Marechal Rondon. Falei sobre o assunto em palestras, contudo não negocio e também não intermedio. Se alguém pretende entrar, eu faço questão que vá direto pela internet”, salienta Kempfer.

O empresário esclarece que o mercado bitcoin é legal, tanto que no site da Receita Federal existe uma instrução sobre como declarar as criptomoedas. “É um ativo que como foi comprado deve ser transferido para o banco e incluído na declaração de Imposto de Renda, da mesma forma como uma declaração da Petrobras, Vale, como uma ação do mercado financeiro. Se ela valer mais no próximo ano você declara de novo, já quando decidir vender você paga o imposto de ganho de capital pela diferença de quanto pagou para quanto valia no momento, ou seja, se o valor diminuiu não vai pagar, agora, se aumentar vai pagar o correspondente a 15% sobre o quanto você ganhou referente aos ganhos de capital. É um ativo diferente, esquisito, mas é um ativo”, finaliza.

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