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Marechal Batalha após o toque

Há sete anos, Grupo Elis Regina acolhe mulheres diagnosticadas com câncer de mama em Marechal Rondon

(Foto: Divulgação)
  • Claudete Sbardelotto: “O câncer de mama me mostrou que tudo passa, me fez ser ainda mais grata pela vida e por ter conhecido pessoas admiráveis que, talvez, nunca teria a oportunidade de ser próxima” (Foto: Divulgação)

  • Cirurgiã-dentista Ana Teresa de Souza Gularte: “De uma pessoa proativa, cheia de energia e dinâmica, eu passei para uma pessoa doente, frágil e dependente, mas nunca esmoreci. Hoje tento retornar à normalidade” (Foto: Divulgação)

  • Sara Suzana Pinheiro Cortês: “No Grupo Elis Regina descobrimos histórias, compartilhamos experiências, as dores e as vitórias. Uma reza pela outra e trocamos informações” (Foto: Divulgação)

  • Coordenadora do grupo, Vanusa Ceruti: “Quem passa pelo processo de tratamento, cirurgia, quimioterapia ou radioterapia sempre tem muitas dúvidas e nada melhor do que conversar com quem já passou pelas mesmas dificuldades” (Foto: Divulgação)

“Três meses antes de descobrir a doença, eu não conseguia levantar o braço esquerdo. Nem imaginava que tinha a ver com a mama. Não conseguia apalpar o nódulo. Muitas pessoas fazem o autoexame e conseguem diagnosticar, mas, no meu caso, era bem grande e profundo”. O depoimento é de Sara Suzana Pinheiro Cortês, que faz parte do Grupo Elis Regina, que desde 2014 acolhe mulheres diagnosticadas com câncer de mama em Marechal Cândido Rondon.

Casada e mãe de três filhos, a rondonense foi diagnosticada com câncer de mama aos 41 anos de idade, em 2018. Ela conta que na época foi consultar o seu cirurgião plástico, que achou melhor verificar se a prótese de silicone que ela havia colocando não tinha capsulado. Em seguida foi encaminhada ao ginecologista para fazer o ultrassom. “Na hora já vimos que era um câncer. Ali fiquei bastante abalada. Eu não fazia uso de anticoncepcional, não tinha maus hábitos de saúde e nem tinha casos de câncer de mama na família”, relata.

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Foi por meio de sua cabeleireira que Sara soube a respeito do Grupo Elis Regina. “Ali descobrimos histórias, compartilhamos experiências, as dores e as vitórias. Uma reza pela outra e trocamos informações”, enaltece ao O Presente.

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Sara Suzana Pinheiro Cortês: “No Grupo Elis Regina descobrimos histórias, compartilhamos experiências, as dores e as vitórias. Uma reza pela outra e trocamos informações” (Foto: Divulgação)

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Pandemia

Rui Sonho nov/dez 2

Devido à pandemia, os encontros presenciais tiveram que ser restringidos a conversas via WhatsApp, comenta a coordenadora do grupo, Vanusa Ceruti. “Se alguém tinha uma dúvida sobre reações bastava colocar no grupo. Quem passa pelo processo de tratamento, cirurgia, quimioterapia ou radioterapia sempre tem muitas dúvidas e nada melhor do que conversar com quem já passou pelas mesmas dificuldades”, ressalta.

Com a flexibilização das medidas restritivas, aos poucos o grupo retoma as atividades presenciais. Desde agosto, as participantes se reúnem em um lugar amplo e arejado, onde se sentem seguras. “Quem tem câncer faz parte do grupo de risco e é preciso um cuidado redobrado. Decidimos voltar e tem sido muito bom. Mas assim que tudo voltar ao normal, planejamos continuar com os encontros mensais, sempre na casa de cada uma das nossas integrantes”, menciona Vanusa.


Coordenadora do grupo, Vanusa Ceruti: “Quem passa pelo processo de tratamento, cirurgia, quimioterapia ou radioterapia sempre tem muitas dúvidas e nada melhor do que conversar com quem já passou pelas mesmas dificuldades” (Foto: Divulgação)

 

Desafios e superações

Claudete Sbardelotto, de 49 anos, faz parte do grupo desde 2015. Ela lembra que entrou na sala onde estavam várias mulheres e pensou: “que bacana existir um grupo assim”. Lá estavam mulheres em tratamento ao câncer de mama, continua ela. “Mulheres que já haviam passado pelo processo e outras com o tratamento finalizado. Ouvi suas histórias e pude saber um pouco mais sobre o que eu iria enfrentar. Para mim, é uma família”, destaca.

Segundo ela, a descoberta do câncer de mama veio depois de outra complicação de saúde. “Em outubro de 2014 tive glomerulonefrite, que é a inflamação em uma parte dos rins. Minha situação era grave, os níveis de toxinas não baixavam, os rins não estavam respondendo aos medicamentos e por pouco não precisei fazer diálise. Recuperada desse grande susto, recebi alta e uma imensa lista de cuidados e novos hábitos de vida que deveria ter dali em diante. Após esse episódio, em dezembro, senti um nódulo na mama esquerda. Então, cinco meses depois, o resultado positivo de minha biópsia me colocou como paciente oncológica. Na hora não chorei, não me desesperei, não pensei que fosse morrer. Lembro de ter pensado, se os rins não me derrubaram, não é a mama que vai”, compartilha.

“Cerca de 15 dias após a minha primeira quimioterapia raspei a cabeça, pois os cabelos caiam aos tufos, literalmente. Passar pela experiência de ser careca em um mundo que supervaloriza os cabelos foi libertador para mim. Curti minha careca, me diverti com os lenços e pude perceber que o amor que sempre recebi das pessoas nunca esteve condicionado a isso”, recorda Claudete.

Na opinião da rondonense, o câncer de mama muda a forma como você vê e se relaciona com o mundo. “Tudo tem um novo sabor, um novo significado. O que antes era bom, agora é ótimo, da mesma forma que o que antes incomodava, hoje não tem o menor sentido ficar tolerando. O câncer de mama me mostrou que tudo passa, me fez ser ainda mais grata pela vida que tenho e por ter conhecido pessoas admiráveis que, talvez, nunca teria a oportunidade de ser próxima. Aprendi a colocar minha vida nas mãos de um Deus bondoso e misericordioso e saí dessa experiência com a fé renovada”, evidencia.


Claudete Sbardelotto: “O câncer de mama me mostrou que tudo passa, me fez ser ainda mais grata pela vida e por ter conhecido pessoas admiráveis que, talvez, nunca teria a oportunidade de ser próxima” (Foto: Divulgação)

 

Apoio que faz a diferença

A cirurgiã-dentista Ana Teresa de Souza Gularte entrou para o “Elis Regina” em 2019 e gosta de dizer que foi o grupo que a encontrou. “No primeiro momento, após receber o diagnóstico, não te ocorre procurar ajuda externa. Apenas família, amigos próximos e dos médicos. E é aí que o grupo surge e te acolhe. As mensagens de carinho, força e coragem fizeram com que eu me sentisse sempre acarinhada e protegida”, expõe.

Ela revela que o diagnóstico alterou a sua vida completamente. Mas, apesar de tudo, acredita que sempre há uma luz no fim do túnel. “De uma pessoa proativa, cheia de energia e dinâmica, eu passei para uma pessoa doente, frágil e dependente, mas nunca esmoreci. Sempre tive certeza que Deus estava comigo, me guiando e acolhendo. Hoje tento retornar à normalidade. Aos poucos voltei a trabalhar e a me reorganizar. Agora com a certeza de que Deus me livrou de todos os males porque estou desfrutando novamente de uma vida plena”, enfatiza.


Cirurgiã-dentista Ana Teresa de Souza Gularte: “De uma pessoa proativa, cheia de energia e dinâmica, eu passei para uma pessoa doente, frágil e dependente, mas nunca esmoreci. Hoje tento retornar à normalidade” (Foto: Divulgação)

 

Recado

O recado que as três rondonenses deixam às mulheres em geral é: cuidem-se. “Realize o autoexame periodicamente, pois ninguém conhece o seu corpo melhor do que você. Detectar um possível câncer na fase inicial aumenta exponencialmente as chances de cura”, destacam.

 

Grupo Elis Regina

Criado em 2014, o Grupo de Apoio Elis Regina atualmente conta com 54 participantes. Ele surgiu com o nome “Um toque pela vida” por estar ligado diretamente à campanha do Conselho da Mulher Empresária alusiva ao Outubro Rosa. A mudança do nome aconteceu para homenagear a criadora do grupo: Elis Regina dos Santos Schwingel. “Ela faleceu em março de 2016, após lutar bravamente contra o câncer de mama, deixando uma linda história de coragem, determinação e amor”, comenta Vanusa.

O primeiro encontro do grupo aconteceu no dia 27 de agosto de 2014, na sede da Acimacar. O convite foi feito por meio do Facebook em uma publicação realizada pela própria Elis, que usou a seguinte frase: “Às vezes uma mulher que descobre a doença precisa primeiro ser abraçada e ouvida”.

O grupo também está sempre disponível para ações sociais. “É uma terapia gratuita. O câncer nos aproximou, mas o que nos une é o amor. Sempre saímos mais leves e felizes”, enaltece a coordenadora do grupo.
Para participar do grupo de apoio basta entrar em contato pelo número (45) 99972-5635.

 

Outubro Rosa

No mês de outubro, as participantes do Grupo Elis Regina se reúnem ao Conselho da Mulher Empresária da Acimacar, para se somar na ações da campanha alusiva ao Outubro Rosa – “um toque pela vida”, que busca, além de conscientizar para a importância da prevenção ao câncer de mama, arrecadar fundos, a partir da venda de camisetas, para destinar ao Hospital do Câncer de Cascavel – Uopeccan.

“Também participamos do projeto Retratos, gravando vídeos com depoimentos. Desta forma, queremos ajudar a comunidade, falando sobre o que passamos e mostrando que o câncer é uma doença pesada e difícil, mas que não é uma sentença de morte”, ressalta Vanusa.

 

Paraná deve terminar o ano com 3.470 novos casos

No Brasil, o câncer de mama é o câncer mais incidente em mulheres. Estima-se que surjam neste ano 66.280 novos casos da doença. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) aponta que no Paraná o número pode chegar a 3.470.

Já o câncer do colo do útero é o terceiro tumor maligno mais frequente, correspondendo à quarta causa de morte de mulheres. Para o ano de 2021, são estimados 990 novos casos desta doença, no Estado.

O Inca estima que até 2022 sejam diagnosticados no Brasil 66.280 novos casos de câncer de mama, com um risco estimado de 61,61 casos a cada 100 mil mulheres.

 

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