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Marechal

O que muda na saúde pública?

Mirely Weirich/OP
Investimentos na estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS) em Marechal Cândido Rondon promoverão mudanças significativas no atendimento à população partir de 2017

Aproximadamente R$ 1,5 milhão. Este é o investimento, em recursos próprios do orçamento da Secretaria de Saúde de Marechal Cândido Rondon, empregado para tirar do papel a obra da Central de Medicamentos. A passos lentos, a obra iniciada em 2010 se prolongou por seis anos por problemas junto ao Tribunal de Contas e pela necessidade de ajustes no projeto arquitetônico. Foi um projeto demorado por uma série de fatores, que começaram já na licitação inicial, que foi entendida pelo Tribunal como sendo a farmácia como um todo, e nos criou diversos problemas em termos de nos reportar ao órgão, explica o secretário de Gabinete, Lair Bersch.

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De acordo com ele, pela cobrança do Tribunal de Contas quanto à conclusão de obras inacabadas realizadas pelo setor público, o acompanhamento da entidade perdurou pelos seis anos, sendo necessário que o próprio prefeito Moacir Froehlich se reportasse ao órgão de fiscalização ao fim de seu primeiro mandato, em 2012, já que a obra ainda não havia sido finalizada. O projeto não tinha nenhuma fonte de financiamento federal porque não existia nenhum programa para farmácias ou centrais e nós tínhamos a expectativa de conseguir ao menos uma emenda federal, mas não foi possível, e a Secretaria de Saúde foi garimpando recursos próprios para finalizar a obra. Por isso a conclusão do projeto foi realmente mais lenta, tendo em vista que não houve uma injeção de dinheiro extra, esclarece.

Por não ser uma farmácia comercial, o projeto arquitetônico também demandou de ajustes específicos a fim de garantir a durabilidade dos medicamentos. Nesta última fase, na qual implantamos o brise para substituir os vitrôs, que pela questão do calor não seriam viáveis, recebemos toda orientação da 20ª Regional de Saúde para que houvesse a garantia da conservação dos medicamentos, bem como para atender ao padrão de climatização necessário, ressalta Bersch.

 

Estrutura

Desde segunda-feira (05) a população já está sendo atendida no local que contempla, além da Farmácia Básica Municipal, que faz a dispensação de medicamento à população, a Central de Abastecimento Farmacêutico (CAF). Esse local, que está no segundo pavimento, armazena os medicamentos para a dispensação aos pacientes, para repor o estoque da Unidade de Saúde 24 Horas, das Unidades Básicas de Saúde e do Hospital Municipal Dr. Cruzatti, além da medicação do Estado, esclarece a secretária de Saúde, Vera Karling Drehmer.

No terceiro pavimento, que atualmente encontra-se desocupado, ela destaca que a intenção seria alocar os setores ligados à Secretaria de Saúde: Endemias, Epidemiologia e Vigilância Sanitária, que trabalham em rede. Porém, vamos inaugurar apenas o primeiro e segundo pavimentos. O terceiro, apesar de estar pronto, demanda de uma decisão administrativa do próximo governo entre alocar esses setores naquele local ou não, diz.

Outro detalhe que ficará a cargo dos próximos gestores, conforme a chefe da pasta, será a implantação do elevador social. O elevador de carga, utilizado para transporte dos medicamentos, já está em processo de licitação, complementa.

 

Pronto Atendimento

Se por um lado a Central de Medicamentos andou a passos lentos, ao que tudo indica a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) pode entrar em operação já na metade do próximo ano. Com R$ 2,2 milhões de recursos federais liberados pelo Ministério da Saúde para a construção da unidade de porte 1, a obra iniciada em meados de 2014 terá a estrutura física inaugurada ainda neste ano.

Conforme Vera, alguns processos licitatórios para mobiliar e equipar o espaço já estão em andamento. O vencedor da concorrência da parte de mobília já está começando a executar os móveis e estávamos com uma licitação do aparelho de raio-X digital, que seria um grande ganho para município, mas houve alguns imprevistos quanto a pedidos de impugnação a nível de concorrência e por ora pedimos a suspensão para revermos alguns pontos, menciona.

Além de equipamentos para os leitos da sala de emergência, como focos de luz, camas e respiradores, os certames devem contemplar equipamentos como mesas, cadeiras e computadores, já que a nova unidade contará com o prontuário eletrônico, uma exigência do governo federal.

 

Urgência e Emergência

A secretária de Saúde expõe que a estrutura da UPA será composta por uma sala de emergência com dois leitos e, neste local, só param os pacientes que chegam de ambulância – tanto do Siate quanto do Samu. Nesta sala de emergência há um médico 24 horas por dia com uma equipe só para atender a classificação vermelha, destaca.

Na unidade há outra porta de entrada para o atendimento de pessoas que não vão acompanhadas pelos socorristas. Lá, há um ambulatório em que o paciente será classificado pelo protocolo de Manchester e também haverá uma equipe e médico 24 horas por dia. Também haverá mais um médico na ala da pediatria, que não precisa ser especificamente um pediatra, mas um profissional que absorva a pediatria 24 horas por dia, pontua Vera.

A UPA se assemelha muito à Unidade de Saúde 24 Horas, ou seja, contará com aparelhos de raio-X, ultrassom, inalação, farmácia hospitalar para medicação dos pacientes e serviço de laboratório clínico 24 horas por dia, psicólogas, assistentes sociais e leitos de observação, onde os pacientes podem permanecer por até 48 horas. Se for preciso passar deste período, o paciente pode ser transferido para o hospital de referência, porém, entendemos que em uma UPA o paciente fica muito mais do que 48 horas. Temos o exemplo de Guaíra, que fica com pacientes por uma semana ou até mais, expõe.

Neste sistema, o Hospital Municipal também poderá ser um suporte legal para desobstruir a UPA. A ideia é que a pessoa vá para o sistema caso ela seja um caso mais grave, para ser encaminhada a um hospital de referência, esclarece Bersch.  Poderíamos absorver aquilo que vai para uma UPA, como uma apendicite, por exemplo, até conseguir uma cirurgia de emergência para não ocupar o leito da unidade, completa Vera.

 

E o 24 Horas?

Pela falta de tempo hábil para colocar a UPA em pleno funcionamento, Bersch esclarece que a atual administração optou por inaugurar apenas a obra física e comunicou a comissão de transição para que, em um prazo de 30 a 60 dias, discuta internamente qual será o futuro da Unidade de Saúde 24 Horas. Se fosse decisão da atual administração, a ideia seria transferir gradativamente toda a estrutura do 24 Horas para a UPA em um prazo de 90 dias e o 24 Horas passaria a ser uma Unidade Básica de Saúde com programa de Estratégia de Saúde da Família do Centro, mais os consultórios de especialidades, que na UPA não tem, informa o secretário de Gabinete. Na UPA não tem consulta médica e não é possível marcar exames. Nossa intenção seria concentrar esses serviços no 24 Horas e ir além, mantendo um horário estendido no postão do centro das 07 às 19 horas, por exemplo, complementa Vera.

Quanto aos especialistas para atuar na Unidade de Pronto Atendimento, Bersch diz que, pela contratação dos médicos ser de responsabilidade do município, a equipe médica do 24 Horas pode ser aproveitada, já que a maioria dos profissionais é efetivo. Mas vai aumentar a necessidade de médicos e da equipe de enfermagem, porque são três especialistas e três equipes 24 horas por dia. Então vai depender de contratação do município para compor essas equipes, lembra a secretária de Saúde.

 

Investimento

Bersch avalia que o atendimento que será feito na UPA é muito similar ao que hoje é desenvolvido no 24 Horas. A diferença para a população está no ambiente novo e com novos equipamentos. A diferença é que no 24 Horas o município não ganha nenhum centavo, e com a UPA funcionando regularmente com habilitação do Ministério da Saúde haverá um repasse mensal de R$ 110 mil aproximadamente, ressalta.

Por outro lado, Marechal Rondon terá a obrigação de suprir a demanda de urgência e emergência de Mercedes, Quatro Pontes, Entre Rios do Oeste e Pato Bragado sem contrapartida. Mas anualmente o repasse federal passa de R$ 1 milhão e isso já minimiza os investimentos, ressalta o secretário de Gabinete.

Pelo projeto não estar completamente concluído, ainda não há clareza de quanto o município precisará investir para a finalização da obra, tendo em vista as possibilidades de vinda ou não de mais recursos federais. Mas para atender a demanda da saúde, levando em conta que o futuro governo municipal propôs iniciar os partos e pequenas cirurgias otimizando o Hospital Municipal e colocar a UPA para funcionar a pleno, será necessário um investimento anual de R$ 5 milhões a R$ 7 milhões, dependendo do tipo de cirurgias que serão realizadas. Somente para os partos, por exemplo, o investimento gira em torno de R$ 2,8 milhões a mais no ano, ressalta Bersch.

 

Onde devo procurar atendimento?

Depois que a UPA entrar em operação, a população de Marechal Rondon experimentará uma forma diferente de atendimento no Sistema Único de Saúde.

De acordo com a secretária de Saúde, caso o rondonense precise de atendimento depois que a Unidade Básica de Saúde do bairro encerrar o expediente e se não caracterizar uma situação de emergência, na UPA o paciente será avaliado pela equipe de enfermagem, já que atualmente o município conta com o protocolo de Manchester que rege a classificação de urgência do atendimento. Se o paciente for classificado como urgência ou emergência, ele permanece na UPA para receber atendimento, explica Vera.

Ela destaca que o número de atendimentos em urgência e emergência de casos como infarto e AVC, por exemplo, seria muito menor se a população fizesse o acompanhamento na atenção básica, que são as nove Estratégias de Saúde da Família localizadas nos bairros. Esse atendimento é quando o agente comunitário de saúde faz a visita na casa e o acompanhamento frequente, o médico da unidade cria aquele vínculo com o paciente, mas ainda não existe essa conscientização total da população, conclui.

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