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Marechal

Rondonense vai expor obras na Bienal de Florença

 

Arquivo pessoal

Ataídes Kist ao lado de uma de suas obras que serão expostas na 11ª Bienal de Florença. Peça é intitulada “A bota” e foi produzida com a técnica da ecopintura

“A ecopintura é um resgate dos materiais da natureza e de sua valorização pela pintura e criação das peças”. Essa é a definição dada pelo artista rondonense

Ataídes Kist para um dos mais recentes movimentos da arte contemporânea. Por conta dessa novidade no cenário artístico, Kist apresentará a técnica da ecopintura na 11ª Bienal de Florença, na Itália, expondo suas obras que têm como principal detalhe a sustentabilidade.

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Kist, que é dono de uma galeria de artes em Marechal Cândido Rondon – a Galeria AK -, submeteu suas peças à disposição de um júri internacional, que avaliou e selecionou as obras e artistas que irão participar da bienal. “Eu enviei quatro obras, dentro da proposta da ecopintura, que foram submetidas à avaliação e fomos selecionados. Artistas de todo mundo irão participar”, conta Kist.

A proposta desse ano da famosa bienal de artes, que será realizada de 06 a 15 de outubro, é “EART – Criatividade e Sustentabilidade”. A intenção é contribuir para que os artistas vislumbrem um futuro em que a criatividade e a sustentabilidade sejam princípios inspiradores de um “ecossistema” artístico e cultural dentro de um mundo que respeita a natureza e as formas de vida na Terra. “Acredito que meu trabalho está ligado à proposta e à temática da bienal, pois fazemos as obras com materiais fornecidos pela própria natureza, realçando a importância da preservação e sustentabilidade”, comenta o artista rondonense.

As obras de Kist que serão expostas na bienal foram produzidas nos anos de 2015 e 2016 e, segundo ele, não somente expressam a arte contemporânea, como também, por meio de seus traços, trazem uma crítica ao cenário econômico e social da atualidade. As obras escolhidas e que serão expostas são intituladas de “A bota”, “O dinossauro”, “Leão marinho” e “Fantasma da corrupção”.

 

Arte da natureza

Para Kist, a ecopintura é um movimento artístico que tem como base a natureza. “É ela (a natureza) que fornece a beleza e a escultura, cabendo ao artista apenas moldá-la, prepará-la e colocá-la na condição de arte”, entende o artista, que ainda considera a natureza como uma obra perfeita e divina, de onde o artista busca subsídios e transforma em arte.

Por ser algo recente, a ecopintura ainda não é muito conhecida e apreciada como arte, porém, de acordo com Kist, a ideia por trás desse novo movimento artístico pode fazê-lo se sobressair diante das demais. “A arte possui vários movimentos artísticos e atualmente a ecopintura está dentro da proposta da arte contemporânea, ligada ao meio ambiente, principalmente porque associa a escultura à pintura”, explica Kist, que atualmente possuí um acervo com aproximadamente 400 peças já produzidas.

Além de todas essas obras, dentro da galeria de Kist está o Museu AK, que conta com peças que remontam ao tradicionalismo e à cultura dos primeiros colonizadores do município e da região Oeste.

Na visão do rondonense, a ecopintura é uma arte democrática, ou seja, qualquer um pode fazê-la, desde o mais jovem até o mais velho, lembrando sempre de preservar a essência e o valor do material que é extraído na natureza. “Nossa região é muito rica em matéria-prima, o que favorece o desenvolvimento dessa nova arte”, pontua.

Novas oportunidades

Por conta da seletiva para participar da 11ª Bienal de Florença, novos convites estão sendo feitos ao artista rondonense. Ele, que realizará sua primeira exposição internacional, conta que recebeu convite para expor algumas de suas obras no Museu do Louvre, em Paris. “Estou estudando a proposta e, caso não seja possível neste ano, estaremos expondo no próximo”, afirma Kist.

 

Sobre a Bienal

Desde duas décadas, a Bienal de Florença reúne artistas de todo o mundo no “berço da Renascença” para participar de um evento de arte contemporânea que, a cada dois anos, foi atendido não só por aqueles que fazem arte, mas também por centenas de pessoas que ensinam, aprendem, promovem, comercializam, coletam e apreciam a arte.

Os patrocinadores que permitiram a participação de muitos artistas nesta exposição internacional de arte contemporânea mostram que o trabalho de um artista pode somar-se com o de organizações de diferentes países envolvidos em uma ampla gama de atividades – desde a produção de materiais ecológicos para projetos de recuperação e reciclagem de terras, do crescimento sustentável de produtos orgânicos para o comércio justo e processos de manufatura respeitosos dos direitos humanos. Tal sinergia significa, em última instância, integrar as necessidades criativas, sociais, ambientais e econômicas dentro de um arcabouço conceitual que prevê a arte e a cultura como recursos para abordagens inovadoras visando alcançar metas de desenvolvimento sustentável em harmonia com a natureza.

 

Galeria AK na programação da 15ª Semana Nacional de Museus

De 15 a 21 de maio acontece a 15ª Semana Nacional de Museus, temporada cultural promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) em comemoração ao Dia Internacional de Museus (18 de maio). Nessa edição, mais de mil museus de todo o país oferecem ao público três mil atividades especiais, como visitas mediadas, palestras, oficinas, exibição de filmes entre outras.

Neste ano, o tema será “Museus e histórias controversas: dizer o indizível em museus”, e pela primeira vez a Galeria AK também irá participar da programação. Segundo Kist, o público, de forma gratuita, poderá visitar a galeria de arte e o museu AK nos dias 20 e 21 de maio. O horário para visitação será das 09 às 12 horas e das 14 às 18 horas. “É uma oportunidade para que as pessoas conheçam a proposta da ecopintura e também saibam um pouco mais sobre a Semana Nacional de Museus”, destaca o rondonense.

O artista também vai expor algumas peças no Museu Histórico Willy Barth, de Toledo, que também integra a programação da 15ª Semana Nacional de Museus.

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