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Assembleia promove audiência para discutir prevenção de acidentes com crianças

(Foto: Divulgação)

Lucas estava entre amigos quando se engasgou com uma salsicha de cachorro-quente. No local em que estava, ninguém sabia manobras de primeiros socorros. O acidente acabou resultando na morte do garoto de apenas 10 anos. Com o objetivo de evitar histórias como esta, a Assembleia Legislativa do Paraná promoveu na sexta-feira (28) uma audiência pública remota para discutir a prevenção de acidentes com crianças. O evento faz parte da Semana Estadual de Prevenção de Acidentes com Criança, criada por meio da Lei 20235/2020, sancionada em junho deste ano pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior. Tanto a Lei quanto a audiência são iniciativas do deputado Homero Marchese (PROS). A semana ocorre sempre na quarta semana do mês de agosto para a divulgação, a reflexão e a conscientização sobre a importância do tema.

O debate ocorreu pela manhã e pela tarde e contou com palestras, workshops e depoimentos, reunindo deputados, pais e especialistas. Os temas foram abordados por representantes do Instituto de Políticas e Atenção em Queimaduras (IPAQ), do Hospital Maternidade Mater Dei, da Fundação Thiago de Moraes Gonzaga, da ONG Criança Segura e do Movimento Vai Lucas. “Entendemos que podemos fazer alguma coisa, pois muitos desses acidentes poderiam ser evitados. Nossa meta é gerar debate e informação para que número de acidentes seja cada vez menor”, afirmou o deputado Homero Marchese. “Prevenir é super importante. Atos simples como esta audiência com certeza podem resultar na prevenção de muitos acidentes”, completou o deputado Subtenente Everton (PSL).

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A história de Lucas foi relatada pela mãe do menino, a advogada de Campinas (SP) Alessandra Zamora. A partir da morte do filho, Alessandra deu origem ao movimento “Vai Lucas”. O resultado foi a Lei federal 13722/2018, que torna obrigatória a capacitação em noções básicas de primeiros socorros de professores e funcionários de estabelecimentos de ensino públicos e privados de educação básica e de estabelecimentos de recreação infantil. “Depois da morte de Lucas, buscamos idealizar legislações de prevenção de acidentes e que ensinem primeiros socorros. São medidas simples que qualquer pessoa pode aprender. Com esta Lei, muitas vidas foram salvas”, explica.

 

NÚMEROS

De acordo com Eduarda Marsili, da ONG Criança Segura, que tratou da contextualização dos acidentes com crianças, nove crianças morrem diariamente no Brasil por causa de acidentes. O País registra ainda cerca 300 internações/dia por acidentes. Em 2018, mais 3.300 crianças morreram no Brasil. Para cada morte, quatro ficam com sequelas muito grandes. Acidentes de trânsito, afogamentos e sufocação são as principais causas de morte infantil. “A Semana do Paraná é um marco em políticas públicas para prevenção de acidentes com crianças. É muito difícil vermos políticas voltadas para prevenção. Cuidados com as crianças devem ser institucionalizados”, opina.

Ela lembra que existem algumas estratégias de prevenção para evitar acidentes. “A primeira é educação, com mudanças de comportamento. Não deixar crianças sozinhas, por exemplo, é uma delas. Outra estratégia é de engenharia: modificação do ambiente, como portões em escadas ou redes em janelas de edifícios. Outra é de economia: ampliar acesso a equipamentos de proteção, como cadeirinhas mais baratas e acesso a boias e coletes salva-vidas”, enumera.

 

DESENGASGO

Durante a audiência, a instrutora de primeiro-socorros Andrea Zamora ministrou um workshop sobre desengasgo, ensinando técnicas para lidar com este momento delicado. Ela lembrou que alguns procedimentos comuns não são indicados. Ou seja, quando a pessoa está engasgada, não se deve dar água, levantar a cabeça ou os braços, dar tapas nas costas ou colocar o dedo na garganta.

Ela explicou que existem dois tipos de engasgo. O primeiro ocorre quando a pessoa está comendo e bebendo e percebe que se engasgou. “Nesta hora não devemos fazer nada. A tosse é uma defesa do corpo tentando expulsar o objeto de engasgo. Quando a pessoa consegue tossir ou falar, é que ainda está passando ar. Basta estimular ela a tossir. Em 90% dos casos o engasgamento se resolve com a tosse”, ensina.

Já o segundo tipo é quando ocorre o bloqueio total das vias aéreas. “O sinal disso é quando a pessoa não consegue falar ou tossir e leva as mãos ao pescoço. É neste momento em precisamos agir rapidamente. O objetivo é fazer com que o objeto de engasgo saia, e não entre. Além disso, é preciso fazer a manobra de desengasgo enquanto a vítima está consciente”, explicou ao demonstrar as manobras necessárias para o desengasgo.

 

CALOR

“Queimaduras e o contexto atual dos leitos pediátricos” foram abordados pela médica Elaine Tacla, do Instituto de Políticas e Atenção em Queimaduras (IPAQ). Segundo ela, as queimaduras estão no quarto lugar em óbitos infantis no Brasil, sendo que 79% dos traumas acontecem em ambiente familiar, principalmente nas cozinhas. Líquidos aquecidos e inflamáveis são os principais causadores.

De acordo com a especialista, algumas medidas são necessárias para realizar os primeiros socorros em traumas por queimaduras. Uma delas é tornar o ambiente seguro, como desligar aparelhos elétricos ou sair do ambiente de calor. Em queimaduras com líquido quente, deve-se aplicar água corrente; não se deve utilizar óleos, pomadas ou pasta de dente na região atingida; também é recomendado manter o local queimado o mais alto possível para diminuir o inchaço. “E o mais importante: buscar o atendimento o mais rápido possível. É essencial trabalhar em cima da prevenção. Cerca de 80% das queimaduras poderiam ser evitadas. É um número muito elevado”, afirma.

Complementando o assunto, a vice-presidente do IPAQ, Ana Paula Oliveira, tratou do tema “Fase ambulatorial, primeiros socorros e prevenção em queimaduras”. “É de vital importância esta semana para alertarmos dos perigos das queimaduras. No mundo, 11 milhões de pessoas serão vítimas de queimaduras. O Brasil detém 10% desse número”, informou. Segundo ela, há falta de investimentos em campanhas de prevenção. “O tratamento de queimadura é muito desafiador e doloroso. É necessária uma atuação atualizada e segura, para que a abordagem seja menos dolorosa e com melhores resultados”, completou.

Já a pediatra especializada em recém-nascidos Carolina Ebertz abordou os perigos de acidentes para bebês. “Os bebês podem morrer dormindo. Isso não é tão raro”, diz. Segundo a médica, a posição no momento de dormir influencia. “Colocar de barriga para cima diminui pela metade o risco de óbito. Dormir é sempre de barriga para cima. Amamentação também diminui muito o risco de sufocamento”, lembra.

Por fim, Vânia Schoembemer, gerente executiva da ONG Criança Segura, abordou o tema “E acidentes com crianças, quem deve prevenir?”. A conclusão da especialista é óbvia. “Ficamos felizes com os avanços no Paraná nesta questão. Quem são os responsáveis por prevenir os acidentes? Nisso o Paraná já está fazendo sua parte com esta semana. A prevenção de acidentes não é responsabilidade das crianças”, alerta. “É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar os direitos à vida, saúde e alimentação. Está na Constituição e no Estatuto da Criança e do Adolescente. A prevenção deve estar contemplada por políticas públicas”, completa.

 

LEI

Entre os objetivos da Lei 20235/2020 estão o de alertar a população sobre a ocorrência de acidentes com crianças por meio da promoção de ações, palestras, debates, eventos, audiências públicas, encontros, publicações e iniciativas em geral sobre o tema, em parceria com órgãos privados e públicos, em especial escolas, universidades, clubes, unidades de saúde, organizações não governamentais, veículos de comunicação e demais instituições.

“Discutimos um tema bastante importante, que levou à aprovação de uma Lei que determina que o Estado faça uma semana sobre isso em agosto, todo ano. Infelizmente muitas crianças acabam se acidentando ou perdendo suas vidas com eventos que poderiam ser atenuados e evitados. É com essa intenção que reunimos diversos especialistas”, diz o deputado Homero Marchese.

 

Com Assembleia Legislativa do Estado do Paraná

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