Dom João Carlos Seneme

O Pai dos céus conhece as nossas necessidades

Estamos mais uma vez com Jesus no monte ouvindo as bem-aventuranças; elas são o fundamento da pregação de Jesus e também o programa que ele vai seguir a partir de agora para realizar a sua missão de realizar o plano de salvação do Pai através da implantação do Reino dos Céus. A proclamação das bem-aventuranças provoca desconforto nos ouvintes. Jesus coloca Deus como garantia última da felicidade humana. Aqueles que seguem este programa de vida serão consolados, ficarão saciados de justiça, alcançarão misericórdia, verão a Deus e viverão eternamente em seu reino. Mas tudo isso implica em optar pelo caminho de Jesus e buscar constantemente a conversão contrariando a natural tendência do ser humano de buscar seus próprios interesses, colocar o bem-estar como único caminho de felicidade.

Hoje escutamos as palavras de Jesus: “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro!”. É uma questão de opção radical de vida: a liberdade plena que se encontra em Deus ou a escravidão de uma vida centrada somente na busca do dinheiro e tudo o que ele traz? Aqui não se fala daquele dinheiro que garante o sustento de cada dia e é o pagamento justo pelo nosso trabalho e é necessário para uma vida decente e humana. Este dinheiro justo tem a ver com o pão cotidiano que Cristo mesmo nos ensinou a pedir ao Pai do céu. Não se trata do dinheiro que serve à vida, mas da atitude fundamental em transformar o dinheiro em um deus que escraviza e que se torna o fim de nossa existência, de modo, que não há lugar para Deus. “Não vivais preocupados” é o apelo que Jesus faz seis vezes no texto. Colocar a vida nas mãos do Pai é confiar na sua providência que oferece tudo gratuitamente e nos liberta de todo mal, enquanto os ídolos nos escravizam e exigem sempre mais.

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Da busca desenfreada pelo dinheiro e bens materiais nasce um novo deus para o nosso tempo: o consumismo. Ele penetra em nós de forma sutil e vai criando necessidades cada vez maiores. Sem perceber as pessoas vão se tornando escravas de si mesmas e se fecham neste círculo vicioso. Daí vem Jesus nos desafiar: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo”. Este apelo à confiança em Deus não é um convite ao comodismo ou passividade, mas uma exigência de viver a vida a partir dos valores do Reino de Deus; é uma questão de fé! Peçamos que o Pai nos conceda a liberdade e a autonomia diante dos bens deste mundo.

Daqui a três dias vamos celebrar a Quarta-feira de Cinzas e iniciar o tempo litúrgico da Quaresma.  Dia de jejum e abstinência. Tempo propício para rever nossas atitudes e direção de nossas vidas; tempo que vai exigir de nós conversão, humildade, silêncio, oração, caridade fraterna como preparação para celebrarmos com alegria uma vida nova na Páscoa.

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