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Dom João Carlos Seneme

Se alguém quer me seguir, tome sua cruz cada dia e me siga

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Depois da Solenidade de Pentecostes, retomamos o Tempo Comum. Vivemos intensamente o Tempo Pascal que renovou em nós o mistério de nossa fé, paixão, morte e ressurreição de Jesus, permeando este tempo com celebrações importantes: Ascensão de Jesus, vinda do Espírito Santo no dia de Pentecostes, Santíssima Trindade, Corpo de Deus. O evangelho de São Lucas acentua palavras e ações misericordiosas de Jesus revelando o rosto do Pai.

Hoje estamos em um daqueles momentos de intimidade em que Jesus precisa rezar, ficar em silêncio, reconectar-se com o Pai. Os discípulos estão com Ele e estão encantados com o sucesso da missão e das obras realizadas por Jesus. De modo que este é o momento certo para dar mais um passo a mais e ver o que eles entenderam. Diante da pergunta “e vós, quem dizeis que Eu sou?”, Pedro responde corretamente. Porém a sua visão de Messias é ainda marcada pelo poder, privilégios. Jesus, então, faz o primeiro anúncio da sua morte e ressurreição para esclarecer a sua missão e de seus seguidores. Para chegar à ressurreição é preciso passar pela cruz.

“Quem é Jesus para nós”? “Por que o seguimos?” Seguir Jesus implica identificar-se com ele e com os valores e princípios do Reino de Deus, onde o poder é serviço, a liderança se concretiza em ser servo de todos, assim como o trono de Jesus é a cruz. Este é o chamado que nos foi feito no batismo: acompanhar os passos de Jesus até a cruz para compreender sua missão e assumi-la como nossa: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga”. Jesus foi fiel até o fim “até a morte e morte na cruz”, onde ele entregou sua vida por toda a humanidade.

“Tome a sua cruz” e “perder a própria vida”, na perspectiva de Cristo, tem um significado próprio: parar de considerar a si mesmo como medida das coisas e criador da sua própria vida, colocar-se completamente nas mãos de Deus e aceitar plenamente a lógica do amor, mesmo que a este amor – como Jesus, custe a própria vida. A cruz que devemos carregar não é aquela que se escolhe em função dos próprios interesses. É aquela que a vida nos impõe e que assumimos por amor a Cristo e aos nossos irmãos. Minha cruz deve ser a cruz de Cristo.

Com sua morte e ressurreição, Jesus nos deu a liberdade e nos garantiu a vida eterna. Por isso não nos é permitido o envolvimento com algo que nos escravize e nos afaste do caminho de Jesus. Nós precisamos da comunidade, dos sacramentos para sustentar nossa caminhada na direção da vida plena. Para isso, Deus nos deu o seu Espírito para nos ajudar a fazer escolhas certas; a deixar de lado o egoísmo, a corrupção, os interesses individuais. A vida cristã se concretiza no seguimento de Cristo à medida que colocamos Deus no centro de nossas vidas. Esta atitude nos faz responsáveis com o mundo que nos cerca, nossa casa comum, onde lutaremos por mais justiça, mais igualdade e fraternidade. Por isso precisamos estar em constante processo de conversão para agir conforme o projeto de Deus, que implica colocar nossa vida a serviços dos outros, caminhando com esperança e alegria, trabalhando para superar situações de morte que continuam crucificando tantos irmãos e irmãs hoje.

Responder à pergunta de Jesus “Quem sou eu para vocês?” é fundamental e importante em cada momento de nossa vida. Ela serve para reorientar nossa vida para o que é essencial e nos ajuda a descobrir o que há de melhor em nós (Pe. Jose Pagola).

 

O autor é bispo da Diocese de Toledo

revistacristorei@diocesetoledo.org

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