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Dom João Carlos Seneme

Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo. Apascenta as minhas ovelhas!

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O evangelho deste 3º Domingo da Páscoa (1º) coloca os discípulos junto ao lago de Tiberíades (Jo 21,1-19). Depois da morte de Jesus, eles retornaram para a vida que tinham antes. Voltaram a ser pescadores de homens. Neste contexto Jesus aparece para eles justamente no momento em fracassam durante uma noite de pesca. Jesus lhes prepara algo para comer e, neste momento, o discípulo o reconhece como o Ressuscitado: “é o Senhor”! Eles deverão aprender que a missão da Igreja é guiada pelo espírito do Ressuscitado. O toque teológico de São João ao relatar o fato diz tudo: “era manhã e renascia de novo a esperança perdida”.

O simbolismo da pesca está presente em todos os evangelhos e torna-se símbolo da atividade apostólica, a missão da Igreja. O resultado da pescaria, depois da ordem de Jesus, é magnífico: 153 grandes peixes, uma quantidade enorme que faz referência à universalidade da missão evangelizadora. É só a partir do reconhecimento do Ressuscitado que o agir missionário será frutífero. O evangelista quer afirmar que podemos colocar todas as nossas forças na tentativa de mudar o mundo; mas se Cristo não estiver presente, se não escutarmos a sua voz, se não ouvirmos as suas propostas, se não estivermos atentos à Palavra que Ele continuamente nos dirige, os nossos esforços serão sem sentidos e não produzirão frutos duradouros. A missão da Igreja nasce aos pés da cruz e ela não é medida pelo sucesso e nem mesmo pela utilização de grandes meios. Não se vence quando se conquista o sucesso, mas quando se é fiel, quando, ao final, podemos cantar um hino de ação de graças, pois cumprimos nosso dever.

Em seguida, Jesus se dirige a Pedro para reforçar o seu papel na liderança da continuidade da obra de Jesus. Aquele que negou Jesus três vezes é agora convidado por três vezes a manifestar sua adesão a Jesus para receber a missão de pastor. Jesus recorda a fragilidade de Pedro, porém afirma que confia n’Ele. Ser apóstolo (=enviado) implica em estar consciente da necessidade da contínua conversão.

De ora diante, Pedro deve representar na Igreja e para a Igreja a presença do Ressuscitado, daquele que deu a vida pelas ovelhas, que morreu e agora vive para sempre. Pedro é aquele que torna visível o amor com que Jesus amou sua esposa. As ovelhas sentirão o quanto são amadas por Jesus através de Pedro.

A missão de Pedro continua em nosso papa Francisco, que procura incessantemente recordar o amor de Jesus pela sua Igreja, de modo especial, pelos mais frágeis e nos convida a fazer o mesmo. Ele é o “vigário” de Cristo. Sua função é se deixar conduzir pelo Espírito Santo e unir todos os carismas e ministérios na edificação do único corpo de Cristo, a Igreja. Pedro como Francisco continuam sendo homens frágeis como todo mundo. Jesus os chama e os envia como sinais do Reino de Deus a ser construído. Este é o estilo de Deus que realiza suas maravilhas através de pessoas comuns para nos comunicar que o poder vem d’Ele e deve voltar para Ele. Este é cuidado que deve acompanhar cada atividade que exercemos em nome da Igreja de Cristo como discípulos missionários.

 

O autor é bispo da Diocese de Toledo

revistacristorei@diocesetoledo.org

 

 

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