Elio Migliorança

Adeus Ano Novo

Era noite de 31 de dezembro e o mundo cantava “adeus ano velho” brindando o novo ano que iniciava. Bastaram 21 dias para descobrirmos que o ano novo envelheceu e muitos já sonham em vê-lo pelas costas, pois as esperanças se transformaram em desconfiança e as perspectivas para 2015 sepultaram os sonhos de felicidade mostrados no Brasil da campanha política. Os discursos de posse dos reeleitos no Estado e no país mostraram que seremos governados por mentirosos. Governos novos com vícios velhos provam que reeleição é um péssimo negócio e devia ser banida da vida nacional em todos os níveis.

Aumentar impostos para equilibrar as finanças públicas é o atestado da incapacidade administrativa do governante. Se o Estado ou o país estão quebrados a culpa não é nossa e sim daqueles que estavam lá e não foram competentes para gastar menos do que se arrecada.

No discurso de posse, Beto Richa prometeu que nos próximos quatro anos o governo dele vai trabalhar para fazer todos os paranaenses mais felizes. Esperamos que sim seja, pois até agora os únicos felizes são os beneficiados com cargos no governo, mas o povo, traído pelo golpe dos absurdos aumentos nos impostos e vítima das mentiras de campanha, nunca começou um ano tão infeliz. Nossa felicidade seria a renúncia do governador e da presidente e convocação de novas eleições para votarmos em gente de palavra.

Dizer que vai economizar R$ 1 bilhão em 2015 é piada de mau gosto, pois o aumento dos impostos vai nos tomar muito mais do que isso. Assinar um decreto vedando o nepotismo na administração pública estadual é piada depois de nomear vários familiares para o 1º escalão do governo. Também não esqueceremos o papel de Judas que fizeram aqueles 34 deputados que aprovaram o tarifaço.

Se fomos mal na esfera estadual, pior estamos na área federal. O governo nem começou e já está em clima de velório. A distribuição dos 39 ministérios entre os partidos aliados parecia o “samba do crioulo doido”. Cada partido tentando abocanhar o maior número de cargos, não para o bem do Brasil, mas cada um pensando no seu próprio bem. Estou escrevendo este artigo e a TV anuncia aumentos de vários impostos, além do já anunciado aumento da energia elétrica, trabalhadores vão perder direitos duramente conquistados, as empresas terão que pagar os primeiros 30 dias de auxílio-doença dos funcionários mesmo pagando a Previdência Social devida, fala-se na privatização da Caixa Econômica Federal, os juros vão subir, as obras públicas vão desacelerar e as mentiras vão continuar. A única coisa que andou rapidamente foi o aumento salarial concedido por atacado aos três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Para estes não há falta de recursos e nem está limitado ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que em 2014 teve um crescimento quase invisível. A Petrobras continua no olho do furacão e agora descobrimos porque ela não foi privatizada. Se privatizada não tinha como ser assaltada. O volume roubado na Petrobras mostra em que mãos está a administração pública. Se medidas duras são necessárias para reerguer o país, não devíamos ter sido tratados como idiotas na campanha política com mentiras e sonegação de informações. Só me resta dizer: coitado do ano de 2015, ainda tão novo e já tão velho.

 

* O autor é professor em Nova Santa Rosa

 

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