Elio Migliorança

CHOVENDO NO MOLHADO

Escrevo no calor das eleições, quando são analisados fatos e previsões feitas no processo político. Pesquisas, golpes baixos, estratégias, boatos, decisões judiciais, multas e outros bichos, tudo é repassado. Até a publicação deste artigo muitos comentários, análises e ponderações terão sido feitas. Mas eu preciso colocar meu ponto de vista sobre o “fenômeno” Tiririca. Já ouvi muitas críticas e a maioria contra o Tiririca e seus eleitores. Eu não. Vou defendê-lo. Segundo o Cap. IV, art. 14 a 16 da Constituição, ele preenche todos os requisitos para ser candidato. Ainda não ouvi nada que desabone sua conduta, portanto, um legítimo “ficha limpa”. Os que nele votaram o fizeram segundo a lei, que permite votar num candidato registrado pela Justiça Eleitoral. Não comprou votos e nem distribuiu cestas básicas, logo uma campanha ética e honesta. Foi o mais sincero de todos, falou a verdade quando disse que não sabia o que faz um deputado federal, não inventou planos mirabolantes de ação parlamentar nem prometeu o “paraíso” para o dia seguinte.
Agora vamos ao outro lado da moeda. Quem deve ser “demonizado” não é ele e sim aqueles que deram o “golpe do baú”. Olha a esperteza da coligação que o convenceu a participar da eleição: PRB, PT, PR, PCdoB e PTdoB. Estes sabiam o que faziam e o resultado do golpe. Com a grande votação do Tiririca, vários mensaleiros e sanguessugas tinham chances reais de se eleger, sem que o eleitorado do Tiririca soubesse disso. Olhemos por outro ângulo.
É voz corrente no país que a política virou uma palhaçada, onde a maioria só pensa em si e criou ao longo do tempo privilégios, constituídos de salários, auxílio “tudo” fazendo com que o Congresso Brasileiro seja o mais caro do mundo. Desvios, corrupção, escândalos e maracutaias se sucedem, sem nenhuma punição. Acusados são absolvidos ao arrepio da lei, contra a moral e ética. Então, o Tiririca talvez seja o “cara” que mais vai se sentir em casa no Congresso Nacional, pois para o circo da impunidade, nada melhor do que um palhaço.
Temos um presidente que ao longo de oito anos sempre se vangloriou por não ter estudado. Orgulha-se disso dizendo que não precisou estudar para ser presidente da República. Se ele pode, por que o Tiririca não pode ser parlamentar?
Passemos para o Judiciário. Teoricamente só chegam lá os que têm “conduta ilibada”. Quantos nomeados por que são compadre do fulano ou protegidos da esposa do ciclano? Lembremos da última. Há um ano foi aprovada uma lei, sancionada sem vetos pelo presidente, que obrigava o eleitor a apresentar dois documentos para votar. Tem lógica, um pode votar com o título do outro. Três dias antes da eleição, a pedido do PT, que tinha apoiado aquela lei, o Judiciário mudou-a, exigindo apenas um documento para votar. Tudo por que o PT queria ou seria por que tem gente votando com o título de outra pessoa?
Então, para que são aprovadas as leis? Para que serve mesmo o Congresso Nacional?
Talvez o Tiririca possa nos contar um dia. Ah, ele já prestou um belo serviço ao país. Assim que foi eleito, virou manchete nos principais jornais do mundo. Está ajudando a divulgar o Brasil.

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