Tarcísio Vanderlinde

Descoberta intuitiva

 

Visitar Machu Picchu (velha montanha, em quíchua) na Amazônia peruana é o sonho de muita gente. Contudo, a cidade lendária é apenas um dos vestígios da civilização inca que permanece em muitos costumes peruanos.

Os incas formaram uma civilização que é caracterizada pelo maior império da América pré-colombiana. O domínio de curta existência surgiu nas terras altas do Peru no século XIII, entrando em decadência já na primeira metade do século XVI, com o avanço dos exploradores espanhóis. Se estenderia hoje da Colômbia à Argentina. A administração política e militar ficava na cidade peruana de Cusco, palavra quíchua que significa “umbigo do mundo”.

Basta uma rápida visita aos arredores de Cusco para se constatar de pronto a grandiosidade da civilização. O conjunto arquitetônico de Sacsayhuamán é comparável aos muros de Jerusalém. Costuma-se ficar impactado diante de blocos rochosos que se conectam a outros como se estivessem soldados. As edificações eram construídas para suportar terremotos. O curioso é constatar que os incas sequer conheciam a escrita e a roda.

Com acesso por trem pelo vale do rio Urubamba, a posterior visita ao ambiente urbano de Machu Picchu é feita a pé. Chama atenção que, decorrente do grande número de visitantes, algumas calçadas e escadarias se encontram interditadas. Acessos esculpidos no granito estão se desgastando mais rápido do que o previsto. Estuda-se a instalação de passarelas para impedir o contato direto do visitante com as rochas.

Construída no século XV sob as ordens do imperador Pachacuti, Machu Picchu é o destino cultural principal de quem viaja ao Peru, e é provavelmente o símbolo mais típico do Império Inca, quer devido à sua original localização e características geológicas, quer devido à sua descoberta tardia.

Natureza e história se mesclam no mágico sítio arqueológico de Machu Picchu. O professor e arqueólogo Hiram Bingham, à frente de uma expedição da Universidade de Yale, redescobriu e apresentou ao mundo Machu Picchu em 24 de julho de 1911.

Foi uma descoberta um tanto intuitiva. Bingham deu ouvidos a uma tradição oral de nativos da região que asseguravam existir uma cidade abandonada em meio à floresta numa região montanhosa. Mais tarde, enquanto inspecionava as ruínas, Bingham, assombrado, anotou em seu diário: “acreditará alguém no que encontrei?”.

Bingham ainda retornou ao sítio de Machu Picchu por mais três vezes. Em 1912 fez o primeiro registro fotográfico que se conhece do lugar. Ao lado de outros ícones civilizacionais como o Coliseu de Roma, as Pirâmides do Egito, Petra da Jordânia ou a Grande Muralha da China, incontáveis imagens da cidade lendária de Machu Picchu são compartilhadas diariamente na aldeia global, atiçando o imaginário de quem ainda não foi lá.

 

O autor é professor da Unioeste

tarcisiovanderlinde@gmail.com

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