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Tarcísio Vanderlinde

Detidos em agosto

Depois de ficar escondida por uma quarentena de dois anos e ter sobrevivido ao campo de extermínio de Auschwitz, Anne Frank não resistiu a novo confinamento no campo de concentração de Bergen-Belsen (Alemanha). Faleceu aos 15 anos de idade, possivelmente por subnutrição e tifo, pouco antes das tropas britânicas libertarem a prisão onde estava.

Anne fazia parte do grupo de risco decorrente de sua condição étnica. Era de origem judia, e junto a algumas outras minorias como ciganos, homossexuais, testemunhas de Jeová e pessoas com deficiência mental, constituía grupos humanos indesejáveis aos propósitos nazistas.

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A menina nasceu em Frankfurt a 12 de junho de 1929. A situação levou à fuga da família para a Holanda, em 1934. Em 1940, as tropas nazistas invadiram a Holanda, sendo que em 1942 intensificaram naquele país a perseguição aos judeus, fato que forçou a família a esconder-se com outras pessoas no anexo de uma residência em Amsterdã.

Foi nesse ambiente que, aos 13 anos, no dia 12 de agosto de 1942, Anne passou a registrar em diário sua nova rotina. A última passagem foi escrita em 1º de agosto de 1944, três dias antes de a Gestapo, polícia política do regime nazista, ter descoberto o esconderijo, detido todos que ali estavam, transferindo-os em seguida para prisões de extermínio ou de trabalhos forçados.

O pai de Anne, único sobrevivente da família, se empenhou em divulgar o diário da filha encontrado posteriormente no antigo esconderijo da família. O texto publicado em 1947 tem servido desde então como inspiração para filmes, documentários e peças teatrais.

Numa curiosa coincidência com a atual quarentena, a Netflix disponibilizou um novo documentário a partir de fragmentos do diário de Anne e depoimentos de meninas adolescentes da mesma faixa etária de Anne à época e que sobreviveram às prisões.

A produção italiana que leva o título “Anne Frank: vidas paralelas” retrata o clima do abominável genocídio que marcou para sempre o século XX, à medida que revela nas palavras de Anne a leveza de uma jovem sonhadora que queria ser jornalista, desejava viver livre e em paz, trabalhar, andar de bicicleta, ir ao cinema, dançar, beijar. Tudo muito atual.

Uma das depoentes que esteve no mesmo campo de Anne lembra tê-la visto por alguns instantes já muito fragilizada, mas ainda com sorriso no rosto. Preocupada com o crescente NEGACIONISMO daquele genocídio, a testemunha observa que o holocausto levado a efeito pelos nazistas é um assunto que NUNCA MAIS é pouco!

 

O autor é professor sênior da Unioeste

tarcisiovanderlinde@gmail.com

 

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