Copagril
Elio Migliorança

Disputa paroquial e ideológica

A reforma da Previdência vai em ritmo lento, caminhando para um desfecho imprevisível e de eficácia discutível. No pano de fundo duas disputas internas, uma paroquial e outra ideológica, são travadas nos bastidores do Congresso Nacional. A mais séria é a disputa paroquial, travada entre os governadores e os deputados federais. A questão é incluir ou não os Estados e municípios no projeto de reforma em andamento. Por que isso é tão importante? Porque a maioria dos Estados administra fundos previdenciários falidos ou caminhando para tal.

Outro problema tão ou até mais grave são os fundos municipais, na sua maioria comprometidos. E por que não são incluídos automaticamente? Os governadores querem que a decisão seja tomada pelo Congresso Nacional e assim eles, governadores, podem acender duas velas, uma para Deus e outra para o diabo. Resolvem o problema de caixa dos Estados, mas perante o eleitor jogam a culpa nos deputados federais e assim ficam “bonitos” perante o eleitorado. Os deputados federais que não querem pagar o preço da decisão exigem que os governadores solicitem abertamente a inclusão do seu Estado na reforma e assim dividam o ônus da decisão perante os eleitores.

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A questão ideológica fica por conta dos deputados que são contra por serem oposição ao governo e não querem que o Brasil dê certo para evitar o sucesso do governante de plantão. Mas há problemas nos Estados por conta de decisões tomadas no tempo em que famílias se encastelaram no poder e trataram o Estado como se fosse uma grande fazenda e o povo era apenas considerado peão de trecho.

Entre muitos, um caso absurdo. Corria o ano de 1973. O governador do Paraná, Haroldo Leon Peres, foi afastado por corrupção. Seu vice, Pedro Viriato Parigot de Souza, assumiu o cargo e faleceu no exercício do mandato. O presidente da Assembleia Legislativa, deputado João Mansur, assumiu interinamente o cargo por 39 dias, quando foi nomeado o sucessor Emilio Gomes. Como ex-governador, mesmo que por ridículos 39 dias, pediu e passou a receber aposentadoria vitalícia que continua sendo paga até hoje à viúva do já falecido ex-governador. Estima-se que nestes 46 anos o valor total pago àquela família está em torno de R$ 60 milhões. Isso por um mandato de 39 dias. Os deputados estaduais aprovaram neste ano uma emenda constitucional extinguindo a aposentadoria para futuros governadores, mas mantiveram as anteriores. Isso mesmo, os deputados estaduais que elegemos na última eleição perderam a oportunidade única de acabar com este e outros absurdos.

Alguns deputados olharam a questão ideológica por serem do mesmo partido ou coligados aos partidos daquele bloco dos ex-governadores e outros simplesmente porque não possuem qualquer respeito pelos seus eleitores e pelo dinheiro público que é fruto do suor de muitos trabalhadores que se privam de uma vida melhor para pagar seus impostos.

Muitos políticos não podem reclamar da falta de respeito dos eleitores; eles se esforçam para serem odiados pela população. Se quando você estiver lendo este artigo a reforma da Previdência já tiver sido aprovada na Câmara, a guerra continuará no Senado com desfecho imprevisível. Tudo isso foi escrito pra gente entender o quanto ainda temos que lutar para consertar este país.

 

O autor é professor em Nova Santa Rosa

miglioranza@opcaonet.com.br

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