Copagril
Elio Migliorança

FUNAFUTI

Analistas experientes em administração pública afirmam que está sendo criada uma estrutura de governo pesadíssima, com um custo financeiro que poderá comprometer o futuro deste país. O setor público que já é considerado um “paquiderme” pelo seu tamanho e ineficiência, logo será um dragão de dimensões apocalípticas. E a última surpresa está no titulo desta coluna. Funafuti não é um palavrão. É a Capital de Tuvalu, um grupo de nove atóis coralinos, ou seja, pequenas ilhas, que fica no Pacífico, logo ali na Polinésia. Trata-se de uma monarquia constitucional que faz parte da Commonwealth, ou seja, a rainha da Inglaterra é a chefe de Estado, tem um governador-geral, mas quem manda mesmo é o primeiro ministro, escolhido pelo Parlamento composto de 15 membros.
A população de Tuvalu atingiu em 2009 a “espantosa” cifra de 12.273 habitantes. A economia de Tuvalu, PIB de 14,8 milhões de dólares, é baseada na exportação de copra (a polpa seca do coco), pandano, confecções e pesca. Há apenas um hotel no país. O país vendeu recentemente seu domínio na internet para uma empresa americana por 50 milhões de dólares. Outra fonte de renda é a venda de sua bandeira para navios estrangeiros. Não existe estação de TV em Tuvalu. Há somente um jornal impresso que circula cada 15 dias e tiragem de 500 exemplares. Quase não existem veículos no país, onde os principais meios de transporte são as motonetas e as bicicletas por via terrestre, e os barcos por via marítima. Aeroportos também não existem, mas há uma pista de pouso na Capital para pequenos aviões. Mas, afinal, por que todas estas informações sobre este país?
Porque a partir de agora ele passa a ser parceiro do Brasil, com o qual teremos relações diplomáticas. É que a diplomacia do governo Lula criou uma Embaixada em Tuvalu, por meio do Decreto 7.197 de 02 de junho de 2010. Está no site do governo, com todos os detalhes e o embasamento legal para a criação desta “estratégica” Embaixada Brasileira. Talvez o Itamarati espere a população do país atingir 20 mil habitantes para então alugar uma “oca” e instalar definitivamente a Embaixada. Vai ser um feito histórico de nossa diplomacia, comparável ao acordo nuclear com o Irã. Na verdade o novo “cabidão de emprego” nem vai ser instalado no país por enquanto, talvez falte espaço para tal, então ficará em Wellington, na Nova Zelândia.
Impressionante como o governo está deslumbrado com o poder e torra dinheiro público, comprometendo recursos valiosos que fazem falta para sanar graves deficiências em áreas vitais do país. Devido ao aquecimento global, o pequeno território do país corre o risco de ser submerso pelas águas oceânicas. Tal risco tem sido muito divulgado pelos ambientalistas como um exemplo das consequências das emissões descontroladas de gases poluentes na atmosfera causadores do efeito estufa. Grande parte das ilhas não passa dos sete metros de altura. A aposta agora fica por conta do nome do novo embaixador. Seria Marcos Valério, Delubio Soares, José Genuíno ou algum dos outros?
Ter emprego garantido num tempo de “vacas magras” e “crise mundial” é uma grande conquista. E nós pagamos. Não somos Alexandre, mas somos patos.

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