Copagril
Elio Migliorança

MELHOR NÃO ARRISCAR

Dizem que a parte mais sensível do ser humano é o bolso. Se queres ver alguém pular, basta que algo o obrigue a colocar a “mão no bolso”. É assim que funciona com a maior parte das transgressões à lei. Se a multa é pesada, todos procuram andar na linha. Eu não entendo muito de economia, mas sei muito bem quando sobra muito mês no final do meu salário. E também sei que quando as nuvens são escuras e ameaçadoras é sinal de tempestade. Assunto insosso para boa parcela dos leitores de jornais, mas as decisões que tomarmos nesta época podem doer no bolso de muita gente no futuro próximo. Enquanto o mundo vai se recuperando da crise que se espalhou pelo planeta nos últimos cinco anos, a economia nacional começa a apresentar sinais de cansaço e esgotamento. Dos países em desenvolvimento, o Brasil foi o que teve o pior desempenho neste primeiro trimestre de 2014, um crescimento pífio de 0,2%. O setor industrial teve um desempenho negativo, decresceu 0,8% e isso pode significar o desemprego de muita gente no futuro próximo, pois com crescimento menor as empresas vão demitir. Sem emprego o cidadão fica desesperado, o que é natural, não vai pagar suas contas e o consumo tende a cair. Embora o setor do agronegócio tenha crescido notáveis 3,6% neste primeiro trimestre, se a situação piorar no país, este resultado pode ser engolido pela crise interna. Embora tenhamos a perspectiva de uma safrinha significativa, nenhum economista consegue garantir que o futuro seja risonho para a agricultura. Embora o embalo para a Copa do Mundo tenha monopolizado a atenção da mídia e por extensão de grande parcela da população, é bom estar atento para o “dia seguinte”, quando a Copa terminar e a vida voltar ao normal. Diante da oferta de crédito fácil, muitos se deixam convencer pelo juro barato, mas aos poucos nem tão barato assim porque a taxa de juro agrícola deste ano está em média 1% mais alta, e não podemos esquecer que empréstimo, como o próprio nome diz, tem que ser devolvido e com juros. Nos últimos anos o governo incentivou este endividamento e o resultado pode ser catastrófico para muitas famílias. O que já se observa é um crescimento significativo na oferta de carros seminovos por preços convidativos, mas o que ninguém conta é que muitos são carros devolvidos por falta de pagamento. As notícias do setor elétrico apontam para uma elevação drástica no preço da energia, que provavelmente será empurrada para depois das eleições, mas que a bordoada será grande se conclui pelo empréstimo concedido pelo governo às empresas do setor, em torno de R$12 bilhões. Para quem ainda não está endividado, é melhor não arriscar em projetos grandiosos. Embora o governo arrecade muito, gasta mal, e o que é pior, parte do nosso dinheiro está financiando obras no exterior, pois, além do Porto em Cuba, nosso governo financia obras em Angola, Peru, Argentina, República Dominicana, Equador, Venezuela e Uruguai. Manter o equilíbrio, planejar bem seus investimentos, não endividar-se e guardar parte de seus ganhos pode gerar a oportunidade de bons negócios num futuro próximo. Os desorganizados podem pagar carro e jogar no ralo o patrimônio, fruto de muitos anos de trabalho. E já que a Copa do Mundo está aí, relaxe e aproveite, mas sem arriscar muito. 
* O autor é professor em Nova Santa Rosa
miglioranza@opcaonet.com.br

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