Elio Migliorança

Meter os pés pelas mãos

 

Para qualificar a pessoa que age desajeitadamente ou com pressa, que se confunde no raciocínio e desvia o foco dos reais problemas para questões periféricas, utilizamos a expressão “meter os pés pelas mãos”. Nestes 100 primeiros dias do governo Bolsonaro, há várias situações em que o presidente meteu os pés pelas mãos e isso nos deixa apreensivos com relação ao projeto de governo apresentado na campanha e que precisa ser concretizado.

Elegemos Bolsonaro de forma inédita e esperamos que ele cumpra o projeto de colocar o Brasil no caminho do livre mercado e da moralização na gestão dos recursos públicos. Não elegemos uma família real que tudo pode sem responsabilizar-se por seus atos. Passada esta fase de adequação e conhecimento das estruturas existentes, esperamos ações concretas de quem sabe o que está fazendo.

Uma das consequências da destrambelhada intenção de transferir a Embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém está custando caro aos avicultores da região de Carambeí (PR). Alguns países árabes já sinalizam para a redução de importação da carne brasileira e com isso os avicultores daquela região que estão integrados à BRF/Sadia vão paralisar suas atividades durante cinco meses a partir de 27 de maio próximo. É a primeira consequência por entrarmos na briga entre judeus e palestinos, algo que não nos pertence.

Outra briga desnecessária é querer acabar com os cursos de Filosofia e Sociologia. Estamos conscientes da necessidade da aprovação da reforma da Previdência, mas os militares e o Judiciário precisam ajudar a pagar esta conta, afinal o que foi prometido é justiça e direitos iguais para todos.

Começar a subsidiar de alguma forma os caminhoneiros abre um precedente perigoso para que outras classes trabalhadoras se mobilizem e reivindiquem iguais ou maiores benefícios. A promessa do aumento do limite de isenção do imposto de renda está bem vivo na memória dos eleitores que aguardam sua implantação.

A extinção do canal de TV NBR, pertencente ao governo e conforme palavras do então candidato Bolsonaro, tem uma audiência que é um traço, ou seja zero, prometida na campanha, está demorando para acontecer e deixa inquietos aqueles eleitores entusiasmados da campanha eleitoral. No mesmo balaio estão a estatal do trem-bala (EPL) e a Valec, uma estatal das ferrovias, ambas inúteis e gerando altos prejuízos.

Uma bobagem intitulada “placas do Mercosul” substitui um sistema de emplacamento de veículos que nos identificava e facilitava o controle, precisa ser extinta, sem esquecer que é uma despesa a mais espetada nas costas dos proprietários de veículos.

Algumas medidas já tomadas mostram que é possível colocar o país no caminho certo. Alguns portos, aeroportos e rodovias foram privatizados e outros estudos vão incluir novas estatais, esperamos que as citadas neste artigo também façam parte da lista.

Palmas para o diretor-geral da Itaipu, que cancelou, entre outros, um patrocínio para o 7º Fórum Jurídico de Lisboa. Pasmem, é isso mesmo, nossa fatura de energia estava ajudando a pagar um fórum realizado em Lisboa, Capital de Portugal, que era promovido pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que possui uma universidade naquele país. Ainda acredito no sucesso deste governo, mas é bom registrar as propostas de campanha para que saibam que não as esquecemos.

 

O autor é professor em Nova Santa Rosa

miglioranza@opcaonet.com.br

 

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