Elio Migliorança

Os países onde o futuro chegou

Conforme anunciado em 22 de julho passado, estou retornando de uma viagem que proporcionou aos seus 35 participantes um amplo conhecimento sobre a vida e os costumes em países cujo desenvolvimento é destaque mundial, já que os países escandinavos ocupam há muitos anos o topo da lista dos melhores índices de desenvolvimento humano do planeta.

Para nós foi um mergulho no túnel do tempo, pois a vida naqueles países já ultrapassou a marca dos mil anos de história. O roteiro começou pela Dinamarca e terminou na Suécia, passando pela Noruega e Estônia.

Conhecidos mundialmente pela sua ligação com os vikings, os primeiros povos a conquistarem a região norte da Europa guardam nos museus a riqueza histórica de muitas gerações e são referência mundial pela organização e segurança que proporcionam a seus habitantes.

O primeiro impacto foi a constatação de que a União Europeia de fato eliminou as fronteiras entre os países. Nosso passaporte foi carimbado em Munique, na Alemanha, onde terminou nosso voo internacional e assim estávamos dentro da União Europeia. A partir daí nosso passaporte foi solicitado somente em Estocolmo no dia do embarque para retorno ao Brasil, onde um novo carimbo registrou nossa saída do bloco europeu.

Na viagem sabíamos que estávamos em outro país quando uma placa nos dava as boas vindas, sem aduana, sem guarda fronteiriça e sem posto de controle fiscal. Foi o momento em que fizemos a comparação com o Mercosul, uma criação fantasiosa que nunca funcionou e a prova é a burocracia que inferniza a vida daqueles que atravessam as fronteiras dos países do Mercosul ou então as barreiras impostas no transporte de produtos de qualquer natureza.

Quando nos apresentávamos como brasileiros, havia uma reação alegre e receptiva, prova de que a imagem que eles têm dos brasileiros é de um povo simpático e hospitaleiro, mas quando o assunto era a administração pública, demonstraram ter conhecimento dos graves problemas causados pela corrupção generalizada e da falta de segurança que assombra nosso país.

Lá se respeita e cumpre aquela expressão ouvida muitas vezes por aqui de que “todos são iguais perante a lei”, com a diferença de que aqui alguns são bem mais iguais do que os outros e a prova são as constantes notícias dando conta de vergonhosos privilégios, salários e impunidades que contaminam os escalões superiores da república.

A moeda no bloco europeu é o euro, mas cada país escandinavo tem sua própria moeda em circulação. Era a hora de lidar com as coroas, pois a palavra coroa está em todas as moedas, ou seja, coroa dinamarquesa, coroa norueguesa e coroa sueca.

Quanto ao valor de cada uma, em média R$ 1 valia duas coroas, mas não existe câmbio para o real de modo que nossa moeda para câmbio era euro ou dólar. Os preços praticados em todos os países visitados estão bem acima dos valores a que estamos acostumados no Brasil, isso porque os salários são altos por lá e consequentemente os custos também.

Para tornar-se alcoólatra naqueles países é necessário ter um alto salário, pois sobre as bebidas alcoólicas incide alta tributação e assim o seu consumo tem um custo altíssimo. Nos próximos capítulos, novas comparações, análises e fatos curiosos confrontarão nossa realidade com o que podemos ter se nossos gestores fizerem o dever de casa com seriedade e competência.

 

Professor em Nova Santa Rosa

miglioranza@opcaonet.com.br

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