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Tarcísio Vanderlinde

Reconstrução identitária

 

Kibutz é uma palavra que pode ser traduzida do hebraico por “reunião”. Se refere a uma espécie de cooperativa de economia solidária que passou a existir no início do século XX onde hoje é Israel. Em nenhum outro país as comunidades coletivas voluntárias desempenharam papel tão importante como os dos kibutzim (forma plural) na recriação de uma identidade nacional.

No deserto do Neguev pode-se perceber diversos kibutzim próximos à fronteira com a Jordânia. Mas existem muitas dessas comunidades espalhadas por todo o país. Conhecer a história dos kibutzim, e ter oportunidade de conviver ao menos por algumas horas numa comunidade destas, é uma experiência que não deveria ser desperdiçada.

O surgimento dessas comunidades ao início do século XX se deve principalmente às perseguições que os judeus sofriam no Leste europeu e ao movimento que visava reconstruir o território judaico. Particularmente, considero os kibutzim uma forma de vida que lembra os grupos tribais descritos no Gênesis.

No ano de 1966, o escritor Érico Veríssimo e a esposa visitaram a Terra Santa hospedando-se nos kibutzim. Pode-se fazer isso até hoje ou marcar refeições nestes lugares. Próximo à Faixa de Gaza o casal se hospedou no “kibutz dos brasileiros”, assim chamado por causa do grande número de judeus que emigraram do Brasil para lá.

Da experiência, Veríssimo retirou a essência para discutir a complexa história do surgimento dos kibutzim em algumas regiões basicamente desérticas e inabitadas de Israel, antes de sua formação contemporânea: a primeira casa para o imigrante.

Não se pode ignorar que o conflito árabe-israelense interfere nas fontes que tratam da história dos kibutzim. Teorias conspiratórias continuam em moda, perpassam o assunto e costumam nos pegar de surpresa. Se o(a) leitor(a) encontrar alguém defendendo que a Terra é plana, e verificar que a pessoa está falando sério, é melhor se poupar.

A vida em um kibutz pode impactar a opinião desfavorável a Israel normalmente estimulada pela mídia global. Não é incomum o visitante ser surpreendido pela presença de árabes, além de outras etnias no kibutz. Estudantes estrangeiros podem também realizar estágios nestes lugares.

Todas essas comunidades rurais israelenses têm um denominador comum. São principalmente agrícolas e funcionam num espírito coletivista e cooperativista. Diferem, contudo, em aspectos religiosos, políticos ou na opção do tipo de produção.

A economia dos kibutzim na atualidade tem uma participação modesta no Produto Interno Bruto (PIB) de Israel. Todavia, se o deserto em Israel hoje reverdece, deve-se, em grande parte, ao resultado do trabalho realizado naquelas comunidades.

 

O autor é professor da Unioeste

tarcisiovanderlinde@gmail.com

 

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