Elio Migliorança

A falácia dos caixões vazios

Com os nervos à flor da pele, as pessoas acompanham diariamente as notícias com os dados da contabilidade fúnebre, efeito da Covid-19. Além dos tradicionais meios de comunicação, correm velozes notícias através das redes sociais, um terreno pantanoso que pode ser muito útil como também prejudicial pela divulgação de fatos mentirosos com consequências perversas.

As famosas “fake news”, informações falsas divulgadas nas redes sociais, tornaram-se uma praga e de forma criminosa prestam um desserviço à população e aos esforços para o controle desta pandemia.

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Entre muitos casos, recentemente uma senhora postou uma mensagem afirmando que em Belo Horizonte caixões estavam sendo enterrados com pedras e madeira no lugar de corpos, afirmando ser um golpe para conseguir mais verbas e que a morte pelo vírus era bem menor. A notícia provocou um estardalhaço nacional e o prefeito, acusado injustamente, acionou a polícia para as providências legais. O delegado encarregado logo identificou a autora, que pode responder pelos crimes de denunciação caluniosa, difamação contra o prefeito e pela contravenção penal de propagação de pânico.

A denúncia era mentirosa e as imagens mostradas no vídeo publicado no WhatsApp foram copiadas de uma reportagem antiga que nada tem a ver com a Covid-19, nem com a cidade de Belo Horizonte. Se condenada, a autora pode pegar até nove anos de prisão.

Este fato traz uma lição importante, pois as redes sociais prestaram um serviço extraordinário na quebra do monopólio das comunicações, que no passado estavam nas mãos de seis grandes grupos nacionais, mas, em contrapartida, deram voz e vez a muitas pessoas despreparadas e a muitos delinquentes que não medem as consequências quando divulgam notícias mentirosas e acusações infundadas.

Seria o caso, então, de proibir as redes sociais?

Não. Primeiro porque isso é impossível e segundo porque é um instrumento de comunicação instantânea que permite uma gigantesca economia, já que se pode resolver muitos negócios e problemas através de suas redes. O que precisamos é de uma polícia técnica com recursos e investigadores para identificar e punir exemplarmente os criminosos. Isso vai separar o joio do trigo e promover uma limpeza geral na área, inclusive penalizando quem compartilha notícias falsas.

É importante ressaltar que boa parte das fake news produzidas nos últimos tempos dirigem ataques virulentos à imprensa, ao Judiciário e ao Congresso Nacional. Isso deve merecer o repúdio de todas as pessoas responsáveis e de bom senso. São três pilares de sustentação do regime democrático e o país não pode abrir mão disso. Que uma parte do Congresso Nacional tem se comportado de forma nada exemplar é verdade, contudo ele precisa ser purificado, mas não eliminado. O mesmo se pode dizer do Judiciário, onde alguns integrantes denigrem a imagem, mas é uma das bases importantes da democracia. E com relação à imprensa, basta lembrar que em todos os países do mundo onde foram implantados regimes de força, o primeiro pilar a ser destruído foi a imprensa.

É hora de deixar as paixões partidárias ou ideológicas de lado e pensar no bem maior do país, que é a sobrevivência da família brasileira com liberdade e segurança, e isso será possível se defendermos a democracia plena, herança preciosa deixada pelos patriotas de todos os tempos.

 

O autor é professor em Nova Santa Rosa

miglioranza@opcaonet.com.br

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