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Elio Migliorança

Aos meu ex-alunos

Tive o privilégio de participar da educação de milhares de alunos ao longo de 39 anos de magistério, e estes estão espalhados pelo Brasil, nas mais diversas profissões, ajudando a construir este país. Mesmo assim, consigo alcançá-los através deste jornal e de outros meios que a tecnologia dispõe, como e-mails e redes sociais. E neste Natal dirijo uma palavra a todos os que debateram nas aulas os princípios da ética, da moral e dos valores que devemos cultivar na vida profissional, familiar e social. São muitos os que tenho o privilégio de conviver e testemunhar que continuam acreditando naqueles princípios aprendidos nos bancos escolares e, como eu, olham para o futuro acreditando em dias melhores. Outros geograficamente distantes, embora não os veja, acredito que tenham cultivado a semente e cada um a seu modo a fez frutificar.

Quando pensava em desejar votos de boas festas, também pensei nos dias difíceis que estamos vivendo neste país, quando parece que a realidade nacional insiste em fazer-nos acreditar que o sucesso maior é alcançado pela via torta da corrupção e dos privilégios que se autoconcedem aqueles que possuem o poder. Ao invés de ficar no bordão do Feliz Natal e próspero ano novo, resolvi insistir na defesa daqueles velhos valores da honestidade, honra e fé que nos foram ensinados por nossos pais. A bandidagem que tomou conta do país, como temos visto nos fatos recentes, não deve ser parâmetro de conduta para as pessoas de bem. Estas quadrilhas que desviaram bilhões têm as mãos manchadas pelo sangue dos inocentes que morreram vítimas de uma saúde pública caótica pela falta dos recursos que foram roubados de forma criminosa. Os partidos envolvidos nos esquemas de corrupção são responsáveis pelo sangue derramado no asfalto das estradas esburacadas do Brasil, porque o recurso que devia ter reformado aquela estrada, está em contas secretas nos paraísos fiscais. O golpe que nos foi aplicado tanto em nível estadual quanto federal, prometendo-nos uma coisa na campanha política e depois traindo a população fazendo o contrário, não deve ser o parâmetro de conduta para vocês se quiserem ajudar a construir uma sociedade mais justa e solidária. O aparente sucesso financeiro de políticos que fazem Comissões Parlamentares de Inquérito apenas para enganar a população, pois não incriminam ninguém, deve nos envergonhar por sabermos que muitos acreditaram nestas pessoas, votaram nelas e entregaram o poder a pessoas moralmente desqualificadas. Não há mal que perdure para sempre. Vamos apoiar aqueles que usam o poder para o bem e a justiça. Vamos valorizar aqueles que têm coragem de se expor e enfrentar os bandidos de todas as cores e saldos bancários, como fazem os promotores e juízes que estão desmontando o maior esquema criminoso de assalto aos recursos públicos.

O problema não é novo, já dizia o saudoso Rui Barbosa: “de tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”. A melhor maneira para envergonhar estas quadrilhas é ser honesto e lutar para que justiça seja feita. Aí teremos motivo para dizer “Feliz Natal”.

 

* O autor é professor em Nova Santa Rosa

miglioranza@opcaonet.com.br

 

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