Copagril
Arno Kunzler

Item obrigatório

Os partidos políticos e a sociedade organizada precisam elaborar uma lista de prioridades para a reforma eleitoral que está sendo gestada no Congresso Nacional, quase no silêncio e sob o olhar de poucos.

Ainda que sejam experientes políticos que têm a incumbência de elaborar um projeto para reformar nossa fragilizada regra eleitoral, na maioria das vezes eles não mexem nos quesitos mais importantes e que ressaltam aos olhos de qualquer um.

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Nada melhor do que a realidade colocada às claras, como agora com a posse da senadora Gleisi Hoffmann como ministra, aparece quem é o cidadão que está tomando assento num dos postos mais importantes da República, uma cadeira do Senado Federal.

Sérgio Souza, quem ouviu falar deste nome na última eleição? E, pior, quem votou nele?

Mas é bom lembrar que ele é fruto dessa regra abençoada que dá ao senador o cargo mesmo quando se afasta da sua função.

Do contrário, pela lógica, quem deveria assumir a vaga do senador licenciado é o mais votado daqueles que concorreram ao mandato de senador. Neste caso, Gustavo Fruet aparece em primeiro da lista com 2.502.805 votos e Ricardo Barros em segundo com 2.190.539 votos.

Mas, seria interessante fazer uma reflexão sobre o assunto, a partir dos outros suplentes.

Alguém sabe quem é o segundo suplente de Gleisi Hoffmann? É Pedro Irno Tonelli. Para refrescar a memória, os mais antigos podem lembrar dele, que foi o primeiro deputado estadual eleito pelo PT, depois nunca mais ganhou eleição e foi ser suplente da Gleisi. Tonelli trabalha na Itaipu.

E os suplentes de Roberto Requião e Alvaro Dias, alguém lembra de um deles?

Lembrar dos nomes até pode ser que sim, mas alguém lembra de um suplente que tenha acompanhado o candidato a senador para pedir votos?

Pois bem, Requião tem como primeiro suplente o ex-secretário de Indústria e Comércio do Paraná, Francisco Simião, aquele que proporcionou incentivos para implantação da indústria de álcool de Margarida. E o segundo suplente, alguém lembra: é o ex-secretário de Requião, Luiz Mussi.

E percebem que estamos falando de uma campanha eleitoral que aconteceu há menos de um ano, pouco mais de seis meses e nossa memória, por melhor que pareça, não consegue localizar esses nomes durante o processo eleitoral.

Agora vamos falar de uma eleição que ocorreu há quatro, quando somente uma vaga para senador estava em disputa.

Pela matemática da exclusão, é possível saber o nome do senador eleito, já que cada Estado tem três. Se Requião e Gleisi foram eleitos na última campanha, logicamente o outro senador foi eleito na anterior, no caso, Alvaro Dias. Mas quem são seus suplentes? Um deles provavelmente estaria ocupando uma cadeira de senador hoje, se José Serra fosse eleito presidente.

Alguém já ouviu falar em Wilson de Mattos Silva? Provavelmente ninguém, ou poucos, raríssimos talvez, sabem quem é ele e que ele é o suplente de Alvaro Dias e poderia ser senador da República.

O segundo suplente de Alvaro Dias é o ex-deputado, também da década de 80, Hélio Duque. Assim como Wilson de Mattos Silva, Hélio Duque é amigo e fiel escudeiro de Alvaro Dias.

Os suplentes são assim, eles se elegem não tendo votos, não fazendo campanha e devem os mandatos, se eventualmente acontecerem, para os titulares. Talvez essa seja a pior regra da nossa lei eleitoral. A coisa mais desproposital que nossa legislação poderia contemplar. Portanto, um item que deveria ser o primeiro a cair.

Em lugar das figuras dos suplentes de senadores deveriam assumir os que disputaram a eleição e não ganharam pela ordem de votação.

Seria bem mais coerente se o suplente a ocupar a cadeira de Gleisi Hoffmann fosse o ex-deputado Gustavo Fruet, que fez mais de 2,5 milhões de votos na última eleição, e não é nada na ordem de sucessão.

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