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Tarcísio Vanderlinde

Na eira de Araúna

A definição clássica de “eira” indica um local destinado a debulhar ou guardar cereais. A tecnificação agrícola tem impactado o uso das eiras, mas a atividade milenar resiste numa economia de pequena escala ou de subsistência. A palavra eira ainda é empregada em outros contextos culturais para definir espaços e/ou situações. Em decorrência da pandemia que assola o planeta, pode-se dizer que nos encontramos hoje numa eira sem beira.

A antiga eira de Araúna fica hoje no coração da cidade velha de Jerusalém. No lugar atual aparecem duas mesquitas. Visitantes que desejam conhecer aquele sítio “no pé” precisam ter cautela. Em decorrência do ressurgimento de Israel no século XX, a antiga eira foi palco de diversos conflitos nas últimas décadas. Uma edição do jornal New York Times destacou aquele ambiente como o mais explosivo do planeta.

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A história recente da eira de Araúna costuma obscurecer singularidades que marcaram o lugar em tempos mais antigos. O fato de ser o local onde existiram os dois primeiros templos judaicos é possivelmente o aspecto mais significativo que se conecta aos conflitos dos tempos atuais. Porém, a eira tem história mais antiga. Há cerca de 3000 anos pertencia a Araúna um agricultor jebuseu. Araúna foi contemporâneo do rei Davi. As referências aparecem em 2º Samuel e nos escritos de Flávio Josefo.

De acordo com Josefo, tudo começou com um recenseamento populacional decretado por Davi e que não foi do agrado de Deus. Em decorrência, abateu-se uma peste sobre o povo sem que algo se conhecesse para debelar “tão cruel enfermidade”. Josefo descreve detalhes daquela epidemia:

“Parecia uma peste muito violenta, mas feria os homens de maneira diferente. Em uns não aparecia, mas morriam do mesmo modo e depressa; outros, expiravam no meio de dores atrozes e violentíssimas; outros não podendo tolerar-lhe o remédio, expiravam nas mãos dos médicos; outros perdiam a vista num momento e logo depois ficavam sufocados; outros, quando enterravam os mortos, morriam também, e eram enterrados com eles. Tão espantoso contágio tinha já matado, numa única manhã, 70 mil homens”.

Em meio à epidemia, Davi se arrepende, veste-se de saco, cobre a cabeça de cinzas e prostra-se por terra diante do Altíssimo. O texto diz que a peste cessa. Procurando ser grato, compra a eira de Araúna por 50 peças de prata, ergue ali um altar e oferece sacrifício. “Vendo que Deus mostrava aceitar o sacrifício, deu a esse altar o nome de ALTAR DE TODO O POVO e escolheu-o para ali construir o templo”.

 

O autor é professor sênior da Unioeste

tarcisiovanderlinde@gmail.com

 

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