Ford/Abradif/Rodovel Ranger
Arno Kunzler

O Brasil que dá certo

Se em algumas áreas o Brasil ainda precisa evoluir muito para se parecer com os países mais desenvolvidos, como é o caso da educação, da saúde pública, da infraestrutura, tanto rodoviária, ferroviária, portuária como aeroviária, nas questões que envolvem a política partidária e administrativa, no Judiciário, nas questões fiscais e trabalhistas, pelo menos um setor dá sinais de que isso pode ser diferente, apesar de tudo. Trata-se do agronegócio brasileiro.
Há algum tempo os números demonstram que o agronegócio é seguramente o setor do desenvolvimento do Brasil que melhor desempenho apresenta.
Temos bons motivos para isso. Terra boa e abundante, herdamos a tradição e a capacidade empreendedora e os preços no mercado internacional de algumas commodities, especialmente a soja, nosso carro-chefe. Outros foram sendo conquistados.
Melhoramos nosso conhecimento técnico, adquirimos equipamentos e máquinas mais modernas, tecnologias até então exclusivas dos países considerados de primeiro mundo, aprendemos a manejar o solo de forma mais adequada, superamos as dificuldades tributárias e a falta de infraestrutura, melhoramos as condições de trabalho nas agroindústrias, especialmente as cooperativas.
Hoje produzimos alimentos de boa qualidade a preços competitivos.
O resultado para as indústrias e os produtores só não é melhor porque perdemos boa parte pelo caminho da burocracia, dos juros altos, dos tributos exagerados e da falta de infraestrutura.
A produtividade aumentou, hoje podemos dizer que o Brasil do agronegócio é pais de primeiro mundo.
Vencemos incontáveis barreiras e só não conseguimos ser melhores por causa da falta que fazem as ferrovias, hidrovias, aeroportos, tributos simplificados e mais justos e a burocracia que persiste em tirar o sono de quem produz e atrapalhar a vida de quem deseja expandir.
Mas ainda há esperança, o Brasil do agronegócio é um Brasil que está dando certo.
A capacidade empreendedora é maior que as dificuldades que são impostas pela ausência de políticas mais favoráveis a quem produz.
Somos um país que sabe superar desafios e, especialmente no agronegócio, mostramos ao mundo como o Brasil pode crescer bem e rapidamente.
Terminou o Show Rural em Cascavel, um evento que atrai para a região e especialmente para o agronegócio os olhos de políticos, empresários e lideranças agrícolas do mundo inteiro.
Para quem andou pelos estandes do Show Rural, sem mesmo se preocupar em ver algo diferente ou conhecer mais profundamente as novas tecnologias, pode perceber o que estamos afirmando.
Essa pequena amostra do agronegócio é suficiente para provar que nesse setor o Brasil cresceu e se desenvolveu, apesar dos governos e das intempéries.
Estão de parabéns os homens e as mulheres que mudaram o Brasil rural, vencendo a distância que há poucas décadas nos separava dos países mais desenvolvidos.
Se hoje ainda existem diferenças, elas se concentram nas mãos dos burocratas e tecnocratas, que não permitem que o agronegócio brasileiro seja ainda mais forte.
Conseguimos vencer a distância tecnológica e não vencemos a insensatez política.
Menos mal que a maioria dos políticos já reconhece o agronegócio como essencial para o desenvolvimento do Brasil.
Vamos vencer a inércia dos políticos também, derrubar os preconceitos contra o agronegócio e assumir, finalmente, que somos um gigante que não está mais adormecido.

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