Copagril – Sou agro com orgulho
Arno Kunzler

O monstro voltou

Não há mais como negar, a inflação que em meados de 2020 espantou os consumidores de arroz, agora está presente em todos os setores.

O primeiro setor atingido foi o alimentício. A inflação se fez sentir no supermercado.

Casa do Eletricista – BOBCAT

Desacostumados com a remarcação dos preços desde a década de 90, quando foi implantado o Plano Real, os consumidores foram percebendo que mês a mês o mercado estava mais caro.

Depois chegou, e chegou com força, no setor de construção civil.

Alguns produtos aumentaram mais de 100% e outros já tiveram vários aumentos que somam mais de 50%. Houve reajuste em praticamente todos os itens.

Como será o comportamento do governo diante desses aumentos de preços?

Normalmente os governos atuam no setor financeiro, enxugando as linhas de crédito e aumentando juros.

Assim, tentam diminuir o ritmo das ações econômicas e frear a alta de preços, diminuindo a procura pelos produtos.

Só que isso gera recessão e tudo o que o governo Bolsonaro não quer é recessão, povo insatisfeito.

Até agora o governo está ignorando a inflação. Não se fala nisso, nem os bancos ensaiam elevações consideráveis nas suas taxas de juros de longo prazo, embora admitam que os juros vão subir.

Tudo indica que o governo esteja alimentando a expectativa de que a inflação vá ceder sem qualquer intervenção, apenas com a normalização das indústrias que estariam aumentando sua capacidade de produção.

Com maior oferta de produtos, a concorrência se encarregaria de baixar os preços.

Só que para isso necessariamente o dólar deverá recuar e isso não está nem nos planos da equipe econômica e muito menos é do interesse dos exportadores brasileiros.

O mais provável é que vamos ter inflação (oficial ou não) muito maior do que as metas do governo e os números que estão sendo projetados.

E se ela persistir por alguns meses, vamos ter sérias consequências para reorganizar a economia, já que salários e outros preços também vão gerar pressão por reajustes e as empresas não têm margem para dar aumentos nesses níveis.

Resta torcer para que o governo esteja certo ao não fazer nada.

 

Arno Kunzler é jornalista e diretor do Jornal O Presente e da Editora Amigos

arno@opresente.com.br

 

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