Arno Kunzler

R$ 50 bilhões/ano

Quando falamos que a reforma da Previdência precisa incluir a todos e não ficar restrita à classe que recebe dentro do teto do INSS, é isso que tentamos dizer.

Levantamento publicado ontem (17) indica que R$ 50 bilhões por ano custam as aposentadorias especiais, somente a parte que ultrapassa o teto.

Quer dizer, se limitassem todas as aposentadorias ao teto máximo que alguém pode receber no país, que é igual ao salário de um ministro do Supremo, a economia já seria de R$ 50 bilhões por ano.

Todavia, o que precisamos ver não é só isso. Precisamos discutir também as aposentadorias precoces, os avanços desnecessários e as pensões ilimitadas que algumas categorias conseguiram incluir nos seus benefícios.

Com certeza, se isso for incluído no pacote da reforma da Previdência vai sobrar dinheiro para pagar todos os aposentados que recebem até o teto da Previdência.

E é isso que o Congresso Nacional precisa fazer. A reforma tem que começar com os beneficiários que não contribuíram para se aposentar daquele jeito, que apenas foram beneficiados por leis ocasionais e oportunistas.

Aposentadoria não pode se tornar um negócio rentável para alguns, tem que ser um meio a que a pessoa pode fazer jus, para ter uma velhice digna, isso sim.

Enquanto milhares só conseguem se aposentar, mesmo tendo trabalhado igual ou mais que essas pessoas, com salário-mínimo, que só dá para pagar a conta da farmácia no fim do mês, alguns se apropriaram, com a ajuda de generosos legisladores, para fazer verdadeiras fortunas com aposentadorias.

E o mais curioso é que tem muita gente aposentada ou com direito de se aposentar com somente um salário-mínimo preocupada com a reforma, protestando contra o governo que deseja fazer a reforma.

Vamos acordar Brasil. É hora de aparecer o buraco das finanças públicas.

Não é só o desvio de recursos que deteriora nossas contas públicas, mas essas artimanhas construídas de forma legal, mas completamente imorais, também.

Ou vamos enfrentar isso, ou de fato não sobrará dinheiro no futuro próximo para pagar sequer os que se aposentaram com um salário-mínimo.

Esse é o “x” da questão.

Não se trata de tirar direitos de quem tem quase nada de direitos.

Nem tirar dinheiro de quem não tem quase nada.

Trata-se de fazer justiça, pagar minimamente igual.

Se alguém contribuiu com o seu dinheiro para se aposentar melhor, ótimo, mas se usou o erário público para fazer contribuições e se aposentar de forma tão desigual, não é justo e não é direito.

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