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Arno Kunzler

RENÚNCIA COLETIVA JÁ

Em meio à escuridão política de Brasília, finalmente acendese uma luz. Uma luz que pode nortear os próximos debates políticos e inclusive os próximos protestos e movimentos sociais pelo Brasil afora.

Ronaldo Caiado, senador e líder do DEM na Casa, sugere que não está acabando o ano de 2015, mas o que acabou é o governo do PT.

Casa do Eletricista folha LORENZETTI

E que as razões para chegar a essa conclusão são simples: as pessoas que comandam o governo não têm mais credibilidade para sugerir e pedir nada ao povo brasileiro, muito menos novos impostos.

E ele então sugere que se deixe de pedir o impeachment da presidente Dilma, e se passe a negociar a renúncia coletiva, dela, do vice, de todos os senadores e de todos os deputados federais e se convoque novas eleições para todos os cargos.

Nada mais lúcido visto até hoje do que esta proposta.

É bem verdade que os mandatários serão contra, pois já garantiram seus cargos e mandatos por mais quatro ou oito anos. Mas, sem dúvida, a única coisa racional a ser feita hoje seria uma renúncia de todos os que foram eleitos nessa eleição da mentira e das acusações falsas de 2014.

Um processo eleitoral que levou a Brasília um sem número de eleitos que hoje não passariam nem sequer nas convenções dos seus partidos.

Talvez o culpado maior pela crise política e institucional que vivemos hoje foi o processo eleitoral regado com fartos recursos oriundos da corrupção.

Os partidos receberam valores impressionantes, todos oriundos do esquema que hoje está sendo desmascarado, envolvendo o governo central e as grandes empreiteiras do país.

Com esse dinheiro comprando partidos e consciências de políticos, a eleição não poderia ter um resultado diferente do que isso que vemos hoje.

Os eleitos chegaram a Brasília como perdedores e os não eleitos foram recebidos como vitoriosos, uma inversão de valores num processo democrático.

Não fossem as verbas desviadas das obras públicas para a campanha eleitoral, certamente teríamos outro desfecho e a crise teria vindo a público quando de fato aconteceu, e não postergada durante um ano para só depois das eleições ser anunciada.

Lembremos da conta da luz, que baixou antes da eleição e logo depois aumentou quase 50%.

Quem votou achando que esse governo tinha conseguido uma grande vitória para a economia das famílias foi enganado e agora paga a conta.

Um governo e um Congresso desses realmente deveriam renunciar coletivamente para o bem da política, para o bem da democracia e para o bem do Brasil. Sem isso não haverá nenhuma esperança de que essas pessoas, nesses cargos que ocupam, sejam capazes de mudar os rumos da política brasileira, só se for para pior.

Ronaldo Caiado teve uma ideia, o Brasil precisa comprar essa ideia e fazê-la brilhar.

Com a renúncia de todos, é possível conseguir reestabelecer a credibilidade que hoje não existe, nem no governo da presidente Dilma e nem no Congresso dirigido pelo senador Renan Calheiros e pelo deputado federal Eduardo Cunha.

E sem credibilidade do governo, a economia do Brasil tende a piorar. Portanto, vamos trocar o slogan de “Impeachment jᔠpara “RENÚNCIA COLETIVA JÁ”.

 

* O autor é jornalista e diretor do Jornal O Presente

arno@opresente.com.br

 

Devido a um erro de diagramação, republicamos o artigo, agora com título e texto condizentes.

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