Pref. Pato Bragado Natal em Canto 2019
Arno Kunzler

UM SONHO DESABANDO…

Desde 1982, quando a Itaipu fechou as comportas da barragem e fez a água chegar onde muitos duvidavam, começamos a sonhar com turismo em nossa região.

A própria Itaipu deu o primeiro passo, liberando áreas, uma por município, para construir um parque de lazer, com as chamadas praias artificiais.

Casa do eletricista TRATAM. E ACESS.

Muitos sonhadores projetaram um futuro maravilhoso, uma região cheia de atrativos naturais, contando com a criatividade do seu povo para adequar o que antes era agricultura, para turismo.

Convenhamos que muitas vezes subestimamos as dificuldades. E nesse caso, as dificuldades eram maiores do que projetadas e sonhadas pelos sonhadores.

As prefeituras gastaram tempo, dinheiro e dedicação ao turismo. As prainhas, para não dizer que não deram certo, deixam a desejar.

Nos últimos anos, com as constantes mudanças do nível da água, a situação ficou bem pior e alguns projetos em andamento e outros em funcionamento passaram a sentir enormes dificuldades para sobreviver.

O lago por si só é um atrativo, mas as prainhas necessitam de investimentos agudos e de gestão.

Nas mãos do Poder Público, e aí não é culpa dos prefeitos, pois as áreas não podem ser transferidas por pertencerem à multinacional e com isso há regras rígidas para seguir, os projetos estão literalmente fadados ao fracasso.

Temos público, mas para eventos pontuais e sem retorno financeiro para quem investe no local. São usuários que ficam pouco tempo, usam o espaço, gramados, banheiros, energia elétrica, churrasqueiras, produzem lixo e vão embora.

O dinheiro que deixam, diárias para acampar e as poucas coisas que compram no local não estimulam os comerciantes a investir. E sem investimentos privados, dependemos somente do Poder Público.

E o que percebemos é que as construções de muito tempo vão sendo deterioradas e muitas delas nem serão reformadas.

Em Porto Mendes foi construído um restaurante novo para oferecer um espaço a mais aos visitantes, ou uma opção melhor para quem quer almoçar ou jantar no local. Por falta de interessados em assumir o restaurante, há algus anos a construção está lá, sem uso e mais uma vez a prefeitura tenta encontrar alguém, através de processo licitatório, para fazer a concessão.

Novos investimentos já foram feitos para tentar adequar a construção inicial. Oxalá, encontrem alguém com interesse em investir no local e ofereça uma opção diferente das que temos hoje, embora reconheça-se que a família de Lauro Biesdorf, que há quase 30 anos toca a única lanchonete no parque, presta um grande serviço à comunidade.

Limitado pelas condições da construção velha e sem possibilidade de reforma, já que se encontra abaixo da cota, limitado pelo próprio local e pelas condições da prainha que nos últimos anos não atrai praticamente ninguém. O que atrai são os eventos, a pesca, lazer e o camping.

Se o turismo regional já foi alvo de muitos estudos, muitos discursos, muitas promessas, atualmente ninguém se encoraja a enaltecer nem sequer como opção de atividade econômica, que dirá como atividade principal.

A falta de segurança no lago, a oscilação do nível da água, a falta de atrativos como pesca, esportes e lazer, deixam o “litoral Oeste”, como chegou a ser chamado, empobrecido para o turismo. E com isso, quem sabe, ainda nem percebemos, o sonho de muita gente, de várias décadas, desabando…

 

* O autor é jornalista e diretor do Jornal O Presente

arno@opresente.com.br

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