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Silvana Nardello Nasihgil

Aposte nas relações de qualidade

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Cada dia eu tenho mais certeza que todos os momentos que dedicamos aos nossos filhos são os mais importantes da vida, são os que criam memórias eternas.

Eu acertei muito na minha relação de mãe com o meu filho quando me dediquei todos os dias em todos os detalhes da vida dele e da nossa relação. Eu nem sabia que isso teria um resultado que marcaria as nossas vidas para sempre. Hoje, mesmo com ele adulto – 32 anos, casado e vivendo uma nova etapa -, sou surpreendida cada pouco com detalhes que marcaram a vida dele positivamente.

Temos gestos, palavras, imagens, cheiros, sabores e inúmeras coisas que fizeram a nossa história, que o ajudaram a crescer e ser um homem que conhece o amor, o acolhimento e a importância de falar sobre os sentimentos.

Eu me emociono sempre que vejo que as coisas que partilhamos marcaram positivamente. Então, tenho certeza que vivemos momentos incríveis e que todo o tempo dedicado retorna na mostra de um ser humano disponível para os bons sentimentos.

Hoje recebi um vídeo muito fofo de uma lembrança só nossa. Um vídeo do avião B-2, que era o meu avião favorito quando ele era criança e brincava com o flight simulation. Ele no computador e eu deitada na cama, viajávamos por todos os cantos do mundo e partilhávamos as mais diversas curiosidades.

Aí vocês podem perguntar: por que ela está contando isso? E eu respondo: porque quero partilhar com vocês não uma teoria, mas a prática dela, e os resultados daquilo que partilhamos com os nossos filhos.

Na nossa época não existiam redes sociais, nem celular. A vida não era distraída com bobagem. O tempo era partilhado com a família. Os filhos tinham companhia e qualidade nas relações. Ao menos eu escolhi que fosse assim.

Hoje, vejo que a modernidade da vida e a imensidão de situações que podem distraí-la são comportamentos que têm engolido o melhor das relações. Cada um por si e o celular por todos… e vida que segue!

Aí eu penso: que qualidade estão tendo as relações? Qual o tempo que dedicamos para os detalhes da vida? Estamos construindo memórias positivas?

Precisamos nos perguntar sobre isso, porque não podemos nos permitir criarmos uma geração de gente abandonada emocionalmente e sem suporte algum. Pessoas que não sabem nem de si, que não são auxiliadas a aprender e sequer a pensar, que vivem num automático como se fosse dentro de uma bolha, sem quem os ouça, acolha e os ame verdadeiramente. Crianças, adolescentes e jovens de quem só é exigido o tempo todo precisam mostrar resultados do inglês, piano, balé, judô, escola regular… Tempo super ocupado com coisas e muito pouco com sentimentos. Aprendem (quando aprendem) a dar conta da vida prática e sequer sabem como lidar com as emoções. Têm dezenas de fotos nas redes sociais dos pais mostrando para o mundo, em poses diversas, o quão são especiais, mas perecem de cuidados, carinho e atenção.

Não é aceitável criarmos pessoas que adoecem ainda crianças, que vivem com um “furo” emocional sem sequer compreender como isso se formou.

Então, ainda dá tempo de mudar muitas coisas, de elegermos as prioridades. Uma vez eleitas, buscarmos focar naquilo que realmente importa: o futuro, um futuro cheio de coisas lindas e eternas.

 

Silvana Nardello Nasihgil é psicóloga clínica com formação em terapia de casal e familiar (CRP – 08/21393)

silnn.adv@gmail.com

 

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