Editorial

Alvoroço

O episódio deste fim de semana envolvendo o ex-presidente e condenado a mais de 12 anos de prisão, Luiz Inácio Lula da Silva, corrobora o que todo mundo já está careca de saber: a fragilidade da Justiça brasileira. Em um bate e rebate entre desembargadores e o presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), em um momento o presidiário seria solto, em outro continuaria preso, em seguida seria solto em reiterada decisão, depois, preso. As decisões divergentes entre os desembargadores, mesmo depois de esgotados diversos recursos que culminaram com a decisão de cumprir a pena, geram uma instabilidade grotesca, pitoresca, no pior sentido da palavra.

O Partido dos Trabalhadores, que não é bobo nem nada, pois conta com a assessoria jurídica de alguns dos melhores advogados do país, não se cansa de tentar tirar Lula da cadeia, mantendo ainda um sopro de esperança de o sindicalista do ABC paulista ser candidato na corrida presidencial.

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Essa última atitude foi de arrepiar. Durante um plantão, um companheiro filiado há quase 20 anos no PT, assessor próximo tanto de Lula quanto de sua sucessora, Dilma Rousseff, tentou uma manobra ousada, que deixou os seguidores dele alvoroçados. A notícia de sua soltura fez os militantes petistas dos mais baixos escalões se encherem de esperança em recolocar à frente do Brasil o que eles julgam um deus.

Na contramão, não menos inquietos, aqueles que concordam com a decisão da Justiça sobre a prisão do ex-presidente, receberam a notícia da possível soltura como uma facada nas costas. Em minutos, o circo ao redor de Lula estava novamente formado.

O Brasil precisa de inúmeras reformas para que o caminho do desenvolvimento econômico, político e social de fato possa ter vez por aqui. E não trata-se apenas do Legislativo e do Executivo. O Poder Judiciário, que historicamente possui as tão faladas brechas que beneficiam quem pode pagar os melhores advogados e prejudicam o cidadão trabalhador, as pessoas comuns, precisa ser completamente revisto.

A começar pelas próprias leis e seus recursos inesgotáveis. Depois, pela severidade das penas, que são muito brandas para crimes diversos, seja um homicídio ou um roubo bilionário dos cofres públicos. As grandes lacunas interpretativas que a Justiça brasileira tem deixado claro que muita coisa precisa ser reformada. A aplicabilidade da lei, ainda hoje, é praticamente uma fraude nesse país.

Lula é bandido perante a lei, condenado em duas instâncias, está preso e é lá que ele tem que ficar. Engana-se, no entanto, quem pensa que o PT vai deixar essa chama acabar. Vai tentar novas manobras, dando novas facadas nas costas do povo com aval de uma Justiça que não se entende nem entre seus julgadores. Novos capítulos dessa novela serão encenados nos próximos dias até que a última dose de esperança a Lula seja oferecida. Até lá, ele continua com a esperança de que no Brasil é possível enganar a tudo e a todos, seja a população brasileira, seja o sistema Judiciário.

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