Copagril
Editorial

Falta aprender a cair

O episódio de ataque de um aluno a colegas no Colégio João Manoel Mondrone, em Medianeira, na semana passada, ligou o alerta de autoridades, pais e educadores sobre a forma com que o bullying é tratado pela sociedade. Ainda, mostra que as crianças de hoje não estão sendo preparadas para lidar com situações de estresse, frustrações e desilusões. Quando isso acontece, a bomba explode.

Logo após as notícias do ocorrido em Medianeira, choveram comentários na internet. “No meu tempo era assim, era assado, a gente resolvia no soco depois da aula, me chamavam de baleia, de quatro olhos, de esqueleto seco. Ninguém morreu”. Sim, naquele tempo era assim.

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Naquele tempo os professores eram respeitados pelos alunos, tinham autoridade. Se brigasse na escola, apanhava em casa também. Naquele tempo, aos sete anos as crianças brincavam de bola e estavam começando a escrever. Hoje, aos quatro, elas já dominam smartphones e, aos sete, já têm até opiniões formadas em assuntos complexos.

Os tempos mudaram, o que antes parecia inofensivo hoje é o estopim para ações radicais como esses ataques entre alunos. A relação entre as pessoas mudou, as redes sociais e a internet mudaram a maneira com que as crianças estão sendo criadas, à base de muita informação, e muita informação de péssima qualidade, capaz de estimular atos extremos.

Por outro lado, as crianças de hoje não toleram nada que não vá ao encontro de suas vontades. Muitos filhos de hoje são incapazes de suportar frustrações. São criados em grandes bolhas para que não sejam atingidos pelo mal social que permeia o Brasil e o mundo. Um grande engano. Pessoas assim são incapazes de reagir aos transtornos da vida adulta, são incapazes de cair, levantar e prosseguir. Nunca recebem um não, ou um castigo. Ganham o que querem, manipulam os pais até que consigam satisfazer seus anseios, com o aval da lei da palmada e outros tantos mecanismos de proteção que antes não existiam.

Educar é um ato de responsabilidade. Criar um filho no mundo de hoje exige muito mais atenção do que se imagina. Mostre a ele que a vida não é mil maravilhas, que nem todas as pessoas são boas e que o diálogo como maneira de dissolução de problemas é parte essencial da vida social, ontem, hoje e sempre. Basta um único deslize para que um mundo de mentiras contagie essas crianças, para que se tornem adultos incapazes de lidar com adversidades, que não saibam se defender por vias sociais, mas empregando ódio e violência.

Não trata-se aqui de julgar o acontecimento, tampouco os alunos envolvidos em Medianeira, mas sim de alertar para a sociedade que está sendo moldada sem limites, para uma sociedade incapaz de tolerar uma briga, uma discussão. Um novo modelo de enfrentamento ao bullying precisa ser empregado no Brasil, mas esse conceito precisa ser iniciado em casa, com os pais. Dizer não ao seu filho provavelmente será mais eficaz que enchê-lo de sim. Ensinar resiliência é uma maneira eficaz de reduzir os impactos que o bullying causa em cada uma dessas crianças. Falta aprender a cair.

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