Copagril
Editorial

Fechem as janelas

 

A insegurança é, sem dúvida, uma das principais mazelas enfrentadas pela população brasileira. No país, mais de 50 mil pessoas morrem todos os anos por emprego da violência, vítimas das mais diversas atrocidades. No entanto, a morte é apenas um dos índices para medir a segurança de uma região, Estado ou país. Outros crimes, conhecidos como de menor potencial, fazem parte da infeliz rotina das pessoas, de Norte a Sul.

Na tríplice fronteira a coisa não é diferente. Embalado pelo tráfico de drogas e armas, o crime organizado se estrutura para, cada vez mais, colocar medo nas comunidades. Em Marechal Cândido Rondon, o número de furtos diminuiu, mas os índices de roubos (quando a vítima está presente e há o emprego de coação) aumentaram mais de 40% nos seis primeiros meses do ano em relação ao mesmo período do ano passado. E os bandidos estão mais ousados, dispostos a fazer reféns, aterrorizar, provocar medo, traumas.

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Dessa forma, a população, que outrora se deparava com a casa arrombada, hoje tem que encarar o marginal na hora que ele está cometendo o ato criminoso, sob forte carga de estresse e com uma inconsequência estampada na cara. Para muitos deles, matar ou morrer quase não tem diferença. Ao contrário do cidadão de bem, marginais não têm amor à vida, nem à deles quem dirá à vida dos outros. E a população está cada vez mais exposta e suscetível a este tipo de criminoso.

Há uma soma de fatores que pode explicar esse aumento expressivo no número de roubos no primeiro semestre, como a falta de mais policiais nas ruas, a precariedade de equipamentos, a dificuldade de elucidar os crimes, mas especialmente as frágeis leis brasileiras, que, muitas vezes, favorecem quem não deveriam favorecer. A impunidade ainda é a grande vilã da segurança pública no Brasil. Sabedor dessa brecha que não interessa a nenhuma pessoa de bem, o bandido faz e desfaz. Preso hoje, solto amanhã ou depois.

Mais que isso, nos dias em que está preso, faz um curso de qualificação para que, quando voltar às ruas, possa ser ainda mais violento e assustador.

As cadeias e presídios não recuperam cidadãos, pioram bandidos. E o pior: tudo às custas dos contribuintes. A sociedade, que é vítima, tem que bancar a faculdade do crime.

É preciso que mudem as leis de punição a esses bandidos, mas há de se pensar também em dar condições para que, durante a punição, eles possam entender o real sentido da vida e serem reinseridos na sociedade com sucesso. E não é muito difícil. Trabalhar e estudar enquanto está preso é um bom começo. Pagar pela sua “estadia” deveria ser algo normal.

O Brasil é um dos países mais violentos do mundo. Muita coisa precisa mudar para que a sociedade tenha, de fato, segurança pública. Enquanto a impunidade e a incompetência em ressocializar fizerem parte da rotina brasileira, a população vai sofrer com índices de criminalidade elevados, mesmo nas pequenas cidades, como em Marechal Cândido Rondon, onde deixar portas e janelas abertas não é mais sinônimo de sossego, mas, sim, de coragem.

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