Arno Kunzler

Mais uma secretaria?

Já é tempo das pessoas refletirem sobre o que é prioridade para um governo e o que são interesses de grupos. No caso da conclusão que chegaram as pessoas que participaram da Conferência Municipal sobre Meio Ambiente em Marechal Cândido Rondon, a respeito da criação da secretaria de Meio Ambiente, parece óbvio que o que prevaleceu foram os interesses.
Os que sugerem a criação de uma nova secretaria para a prefeitura deveriam olhar para Brasília, onde sugeriram para a Dilma ter 39 ministérios.
Será que lá resolveu? O governo federal melhorou por ter tantos ministros? Parece obviamente que não.
É assim que vamos aumentando os ministérios, um sugere aqui, outro acha importante lá e o governante, para atender a todos, faz.
E faz muito mal quando imagina que a solução para um determinado problema está na criação de uma nova secretaria/ministério.
O que falta às vezes é determinado setor ser prioridade num determinado governo.
Isso não depende de um novo secretário, depende de disposição do governo para priorizar essa área.
Ou será que os governantes não ouviram a voz das ruas que claramente se manifestaram contra os 39 ministérios da Dilma?
Será que esse conceito é só em relação ao governo federal?
Parece que não.
Criar novas secretarias simplesmente por achar que com um secretário específico para aquela área a coisa vai mudar é apenas mais um engano de tantos já cometidos pela generosidade do dinheiro público.
Com certeza haverá mais gastos com pessoal, mas nenhuma certeza que haverá mudanças na gestão daquela área.
É melhor invocar a coerência e se perguntar se já não temos demais secretarias e diretorias especiais nos órgãos públicos de modo geral, não especificamente da Prefeitura de Marechal Cândido Rondon.
Parece apenas uma questão de fazer ou não essa ou aquela área serem ou deixarem de ser prioridade dentro de um governo.
Se não for prioridade, secretaria não resolve o problema.
Se for prioridade, não vai fazer diferença se quem dirige é um secretário ou um diretor de departamento.
Já para os grupos políticos encostados no poder, pode ser mais um cargo, ou dois, ou três, ou quatro, ou cinco…
Se para o governo tornar o meio ambiente prioridade precisa de mais um secretário, pois bem…
Se para o governo isso já é prioridade, talvez a questão não passe por essa minirreforma administrativa e, sim, por uma tomada de posição e uma cobrança mais efetiva para que as coisas que não estão sendo feitas, sob a alegação de que não temos a estrutura ideal para tanto, sejam definitivamente priorizadas e exigidas dentro do plano de ações do governo.

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