Copagril – Sou agro com orgulho
Editorial

O fim de uma era injusta

Certamente a concessão dos pedágios na década de 1990 foi um dos piores negócios da história para os paranaenses.

Os altos custos para passar em cada praça, as obras que demoraram para sair ou nunca saíram, os vários aditivos que afrouxaram as responsabilidades das concessionárias tornaram o Paraná um exemplo de como não se deve fazer uma concessão no Brasil.

Copem/Pedalando Por Bíblias

E quem paga caro com isso é o cidadão, que depende da rodovia para trabalhar, viajar, para o lazer, as empresas que usam as rodovias para transportar seus produtos e que são menos competitivas, mas também todo o qualquer cidadão que consume qualquer produto ou serviço, pois o preço dos fretes incluem os gastos com os pedágios e são diluídos nos produtos que estão nas lojas, supermercados etc.

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Certo é que essa era de injustiças está próxima do fim. A partir da zero hora de domingo (28) não haverá mais nenhuma cobrança de pedágio nas rodovias que cortam o Estado. Pelo menos por um tempo, até que os novos consórcios estejam aptos para assumir o bilionário negócio. E isso deve acontecer, de acordo com estimativas do Governo do Paraná, no último trimestre do ano. Até lá, cancelas abertas para todos. A administração e a conservação vão ficar a cargo dos governos federal, no caso das BRs, e estadual, no caso das PRs.

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O discurso é um só: de que as coisas vão melhorar, que a população vai pagar menos para trafegar e que mais obras e investimentos vão tornar as rodovias mais seguras e que garantam boa trafegabilidade. Instituições e o governo trabalham há meses para formar um novo modelo, que seja mais barato e melhor.

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Mas para que isso realmente aconteça a população e todas as instituições públicas que representam o cidadão precisam estar atentas, cobrar para que seus interesses estejam à frente dos negócios, garantindo, obviamente, o retorno do investimento para as empresas que vão assumir possivelmente no ano que vem.

Deixar que meia dúzia de pessoas decida o futuro de milhões não é uma boa ideia. O paranaense sabe que isso não dá certo, assim como já não deu. O mal negócio feito lá atrás perdurou por cerca de 25 anos. Naturalmente ninguém quer que isso volte a acontecer.

O ideal é que a infraestrutura rodoviária fosse operada pelos governos, sem que o brasileiro tivesse que pagar pedágios. Afinal, paga-se por aqui mais impostos do que na maioria das nações.

Os governos, federal e estadual, deveriam ser os responsáveis, os donos das rodovias, e garantir a manutenção e as obras necessárias para a segurança dos motoristas. Mas no Brasil boa parte daquilo que é público é mal administrado. Basta lembrar do cacareco que era a BR-277 antes da concessão. Um verdadeiro desastre. Se os governos não têm dinheiro (ou competência), infelizmente a conta sobra para o cidadão.

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O fim de uma era injusta se aproxima. No domingo, os paranaenses e todos que usam as rodovias do Estado vão encerrar esse ciclo tão espinhoso. É hora de aprender com os erros. Que as novas concessões sejam, no mínimo, justas.

O mal negócio feito lá atrás perdurou por cerca de 25 anos. Naturalmente ninguém quer que isso volte a acontecer

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