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Editorial

Querido Papai Noel

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Como o senhor já deve ter percebido, este ano foi bastante desafiador para mim. Senti na pele a dor das mortes, sofri com o recolhimento em casa, com as ruas vazias, chorei de medo e angústia, me distanciei de mim mesma.

Mas fui uma boa garota. Cantei das janelas para alegrar meus vizinhos, corri atrás da cura em uma busca frenética e alucinante, aplaudi pessoas que eram invisíveis antes do vírus. Também combati informações falsas e disseminei conhecimento.

Da vida, verdadeiramente comecei a dar mais valor ao que antes soava como corriqueiro ou normal. Quanta falta faz um abraço. Entendi o poder de um abraço. Aprendi que é possível trabalhar em casa, fazer reuniões on-line para deixar de perder preciosas horas da vida no trânsito e aeroportos. Fiquei mais em casa e pude perceber que a flor que brotava embaixo dos meus olhos tinha cor. Para mim, antes de tudo isso, era cinza. Aliás, eu olhava boa parte das coisas em preto e branco. Até nisso melhorei. Comecei a observar, não apenas a ver. Virei, se assim pode-se dizer de mim mesma, mais humana.

Também comecei a me valorizar mais. Entendi que o verdadeiro sentido da vida é ser feliz e poder ajudar, com a saúde plena. Comecei a cuidar melhor de mim.

Neste ano a saudade apertou meu coração. Ah, quanta saudade! Fiquei distante. Me despedacei em milhões de pequenas partes. Mas segui em frente. Mesmo com todas as dificuldades, querido Papai Noel, continuei acreditando, continuei trabalhando, continuei me dedicando para que o mundo não entrasse em colapso. Foi sofrido, diferente, desafiador, mas venci.

Cheguei ao fim do ano cansada, pois tudo foi diferente para mim. Novos hábitos, novos costumes, novas rotinas, tudo isso cansa. Tive que empregar esforços em alçadas que eu não conhecia. Sai da minha zona de conforto.

Mas neste fim de ano também cheguei renovada, com a cabeça aberta, com novos aprendizados que infelizmente vieram não pelo amor, mas pela dor. Cheguei mais sólida, pois como o senhor sabe e já dizia um dos meus, “o que não me mata me torna mais forte”.

Definitivamente foi um ano em que me comportei bem. Mas especialmente foi um ano em que aprendi. Aprendi mais sobre mim mesma. Descobri que posso ser muito mais quando eu quero. Descobri que amor não é uma palavra, mas um sentimento divino.

Por tudo isso, querido Papai Noel, minha lista de presentes é bem grandinha neste ano. Não quero bens materiais. Quero que o senhor entre pela minha chaminé e esvazie sua bolsa cheia de paz, luz, saúde, prosperidade, diversão, abraços e beijos. Quero mais chances de viver e dizer eu te amo, quero gargalhadas de bebê, quero carinho de avó.

Como eu disse lá em cima na minha carta para o senhor, foi um ano bem difícil para mim. Mesmo assim, me comportei e cresci. Espero que o senhor possa me presentear com tudo que lhe pedi.

Com carinho, assina, a humanidade!

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